Quatro morrem após operação da Polícia Civil na favela da Maré, no Rio
LUISA BELCHIOR
Colaboração para a Folha Online, no Rio
Quatros corpos enfileirados foram encontrados por policiais militares na manhã desta sexta-feira na favela da Maré (zona norte do Rio) após uma operação da Core (Coordenadoria de Recursos Especiais da Polícia Civil) no local. A operação durou toda a madrugada, e a Linha Vermelha (zona norte), uma das principais vias de acesso ao Rio, teve que ser fechada por 30 minutos devido aos tiroteios. Ainda não se sabe e os policiais ou criminosos mataram as quatro pessoas.
Durante a incursão, sete moradores e dois policiais foram baleadas. Seis dos baleados têm marcas de tiros parecidas, na perna e no pé direitos, segundo o hospital onde foram internados.
Até por volta das 12h, a Polícia Civil ainda não havia se manifestado sobre os corpos, que foram encontrados por volta das 5h desta sexta-feira por policiais do BPVE (Batalhão de Policiamento em Operações Especiais), que circulavam pela área. A PM encontrou os corpos após uma ligação telefônica feita por moradores do local, realizada após a saída do Core, segundo o comandante do BPVE, tenente-coronel Carlos Henrique de Lima. Segundo Lima, a pessoa informou apenas que havia corpos no local.
Ao chegar na rua Projetada, em frente ao Ciep (Centro Integrado de Educação Pública) Leonel Brizola, os policiais encontraram os quatro corpos, enfileirados e cobertos com um plástico, segundo Lima. O coronel disse que foi possível ver marcas de tiros neles. Um dos corpos, de uma menina, tinha marcas de balas no abdômen.
Peritos da Polícia Civil e investigadores da 21ª Delegacia de Polícia (Bonsucesso) foram ao local e, por volta das 10h30, os corpos foram levados ao IML (Instituto Médico-Legal). A delegacia ainda não informou se eles foram identificados, mas disse que está colhendo depoimentos de moradores na favela.
Procurada pela Folha Online, a Polícia Civil ainda não se manifestou sobre os corpos encontrados pelo BPVE.
Operação
Os policiais da Core passaram cerca de seis horas na favela da Maré entre a noite de quinta-feira (18) e a madrugada desta sexta-feira, em operação para cumprir mandados de prisão e de busca e apreensão.
A entrada dos policiais na favela, por volta das 23h de ontem, foi marcada por um tiroteio, segundo a PM. A troca de tiros ocorreu em um trecho próximo à Linha Vermelha, que fica perto da favela da Maré, e levou agentes do 22º Batalhão de Polícia Militar (Maré) fechar a Linha Vermelha durante cerca de 30 minutos, segundo informou o batalhão.
Durante toda a madrugada houve troca de tiros, que deixaram sete pessoas do local e dois policiais civis feridos.
Ao tentar sair da favela, o caveirão da Core que participava da operação ficou preso em uma barricada --pedaços de concreto no meio da rua-- supostamente montada por traficantes de drogas dentro da favela. A Polícia Militar foi acionada e ajudou o veículo a ser retirado. Durante a madrugada, vários postes foram atingidos por tiros, e a favela ficou completamente às escuras, segundo o BPVE.
Feridos
Um dos policiais civis feridos, Guilherme Brazão Cabral Júnior, 30, foi atingido de raspão na face e permanece internado no hospital Barra D'Or, na Barra da Tijuca (zona oeste). O outro, não identificado, foi baleado também de raspão nas nádegas e já liberado.
Além deles, outras seis pessoas foram baleadas: Vinícius Chagas Carvalho, 21, Raul Barbosa Filho, 26, Priscilane Santiago de Lima, 19, e um menor de idade estão internados no hospital geral de Bonsucesso (zona norte). Todos eles têm marcas de tiros similares, na perna e no pé direitos, segundo o hospital.
As outras três também permanecem internadas no hospital Getúlio Vargas, na Penha (zona norte). Identificados como Leandro Santos Silva, Luiz Antonio Ponte e Rafael Ramires Fernandes, eles foram baleados, respectivamente, na bacia, na perna direita e no tórax. Até o fim desta manhã, os três tinham o quadro de saúde estável, segundo a Secretaria Estadual de Saúde do Rio.
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