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Cotidiano
02/01/2009 - 10h48

Liberado nas festas, Hosmany diz que não volta para prisão

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JULIANA BIANCHI
da Folha de S.Paulo

Beneficiado pela saída de Natal, o ex-cirurgião plástico Hosmany Ramos, 63 anos, preso desde 1981 pelos crimes de homicídio, roubo de joias e carros, tráfico de drogas e contrabando, passou a virada do ano escrevendo. No texto, entregue pessoalmente à reportagem da Folha, ele afirma: amanhã, data em que teria de se reapresentar à Justiça depois da liberação para as festas, não voltará à penitenciária de Valparaíso, município no interior de São Paulo.

"Resolvi abandonar esse sistema prisional corrupto e repressor, na esperança de que apareça um político sério e visionário, para constatar as mazelas do sistema."

Em regime semiaberto desde agosto do ano passado, quando foi transferido do Centro de Detenção Provisória de Araraquara, ele afirma que está preparado para assumir as "consequências de seu ato" programado para amanhã. Segundo ele, a atitude é a única forma de chamar a atenção das autoridades que, entre outras coisas, lhe negam a transferência para um presídio na capital, onde possa ficar mais perto de sua família e editora.

"Consegui a minha passagem para o sistema semiaberto por tempo cumprido depois de muito custo, mas me mandaram para o vale do inferno", diz ele, que afirma preferir retornar ao sistema fechado em uma outra unidade a continuar na cadeia de Valparaíso. "São 1.400 presos, sem a menor condição de higiene ou de trabalho", diz.

"Não estou preocupado em ser pego. Eu só quero trabalhar. Tudo na vida tem seu preço, mas a gente precisa tomar atitudes", diz ele, que faz planos até mesmo de sair do país para voltar a exercer a profissão de médico e escritor.

Punição

Hosmany afirma que já deveria ter deixado a prisão, porque já cumpriu a pena de 21 anos. Caso não volte amanhã a Valparaíso, ele responderá por falta grave, e sua pena pode ser ampliada em mais seis meses.

No regime semiaberto, o preso só tem de regressar à noite para a cadeia desde que prove que está trabalhando durante o dia. Hosmany, no entanto, disse que não arrumou trabalho.

Pediu para que o fato de ser escritor (ele tem ao menos quatro livros publicados) fosse considerado seu trabalho --mas o pedido foi negado. Chegaram a lhe oferecer a função de cozinheiro, mas ele se recusou. Por conta disso, passa o dia inteiro preso.

Caso concretize sua ameaça, não será a primeira vez que Hosmany deixará de voltar à prisão depois de ter sido liberado temporariamente como benefício. Em 1996, ele conseguiu uma autorização judicial para poder visitar seus pais na cidade mineira de Governador Valadares e não voltou à prisão.

Foi preso, após ser baleado pela polícia, 45 dias depois, em Campinas, durante o sequestro do empresário Ricardo Rennó, do qual foi acusado de participar. Hosmany nega a participação nos crimes do qual é acusado, entre eles a morte de sua mulher e de uma amante. Hosmany já fugiu ou tentou fugir 12 vezes de prisões paulistas.

Nascido em Minas Gerais, Hosmany atuou como médico durante 12 anos --cinco deles inclusive como o assistente do cirurgião plástico Ivo Pitanguy. Antes de ser encarcerado pelos crimes, frequentava a alta sociedade carioca e, em sua clínica no Rio de Janeiro, tinha como clientes artistas e socialites.

 

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