Polícia investiga se alemão morto em Paraty (RJ) teria sido atropelado por embarcação
JANAINA LAGE
da Folha de S.Paulo, no Rio
DENISE MENCHEN
da Folha de S.Paulo, enviada especial a Paraty
A Polícia do Rio investiga a morte de um empresário alemão --possivelmente atropelado por um barco ou bote-- na véspera do Réveillon nas águas de uma das praias mais exclusivas do litoral sul do Estado.
O empresário alemão Christian Martin Wölffer, 70, --que tinha uma vinícola nos EUA, onde morava, e fez fortuna com fundos de investimentos de risco-- morreu na tarde de 31 de dezembro após sofrer dois cortes profundos nas costas quando nadava no saco do Mamanguá, em Paraty (254 km do Rio).
Segundo o delegado Alessandro Petralanda, dados preliminares indicam que Wölffer foi atropelado por um barco de pequeno porte. Caso isso se confirme, o responsável será indiciado por homicídio culposo (sem intenção) e omissão de socorro, com pena de três a seis anos de prisão.
O empresário alemão estava hospedado na residência do casal Luiz Osvaldo Pastore e Carol Overmeer. Pastore é empresário do setor de metais e ex-suplente de senador pelo PMDB-ES (eleito com Gerson Camata no período entre 1995-2003), conhecido por colecionar obras de arte e realizar festas que reúnem celebridades.
Para o Réveillon, o casal também tinha como convidados os atores Rodrigo Hilbert e Fernanda Lima, que ajudaram no socorro a Wölffer. Segundo Overmeer, no início da tarde do dia 31, o empresário alemão saiu para nadar na praia em frente à casa, no saco de Mamanguá, única formação geográfica do litoral brasileiro que se assemelha a um fiorde (estreito entre montanhas altas).
O saco de Mamanguá é um braço-de-mar que avança 9 km pelo continente, com largura máxima de 1,5 km, cercado por montanhas altas (o pico do Cairuçu tem 1.070 m) e protegido das ondas e dos ventos.
Socorro
"Ele era amigo íntimo da família. Aconteceu na frente de casa e uma lancha passou por cima dele. Ele chegou a pedir socorro, foi levado de barco para a cidade, mas morreu na Santa Casa da Misericórdia", disse. Segundo Overmeer, ele estava sozinho no mar quando pediu ajuda. "Não vi o acidente, mas, pelos ferimentos, foi uma embarcação porque ele foi cortado pela hélice", afirmou.
De acordo com a polícia, o empresário foi levado para o hospital de barco por José Kalil Filho, que socorreu o empresário. A mulher dele, a médica Renata Bittencourt Pataleo, registrou a ocorrência e pediu uma ambulância. O local do acidente é de difícil acesso. Segundo a polícia ele só poderia ser resgatado de helicóptero ou barco.
Segundo o delegado Petralanda, o inquérito será concluído em 30 dias. "Já sabemos que ele foi atropelado por uma embarcação de pequeno porte."
Já o comandante da Capitania dos Portos, Rildo Romão Soares, afirmou que já foi aberto inquérito para investigar o acidente e disse que ainda é cedo para dizer se o empresário foi atingido por um bote. O comandante afirmou que acidentes com hélice de embarcações maiores costumam deixar o corpo da vítima dilacerado.
Segundo Soares, a capitania tem feito inspeções navais próximas às praias para coibir o uso de barcos motorizados na faixa de 200 m, exclusiva para banhistas. Em 31 de dezembro, a Marinha fez esse tipo de inspeção e chegou a fotografar e notificar infratores. Segundo Soares, não foram registrados casos de pessoas embriagadas dirigindo embarcações.
Cortes de 15 cm
O corpo do empresário foi levado do IML de Angra para o Labtemforj, no Rio, um laboratório onde está sendo realizado o embalsamamento. De acordo com o laboratório, a causa da morte foi anemia aguda por hemorragia interna. Ele sofreu dois cortes profundos de 15 cm a 20 cm de comprimento nas costas, na altura das costelas.
De acordo com Overmeer, uma das filhas de Wölffer chegaria ontem ao país para recuperar o corpo do pai. Ele entrou no Brasil com passaporte americano e o consulado dos EUA disse estar auxiliando a família.
Nascido em Hamburgo, na Alemanha, Wölffer vivia na região de Hamptons, balneário luxuoso próximo a Nova York. Em 1978, ele comprou o terreno de uma plantação de batatas e criou a vinícola Wölffer Estate. Além da vinícola, ele era dono do Wölffer Estate Stables, um centro equestre com capacidade para até 100 cavalos. Ele acumulou um patrimônio de US$ 15 milhões nos Estados Unidos com empresas de capital de risco e imóveis.
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