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Cotidiano
06/01/2009 - 17h40

Via Amarela alega que ajudou nas investigações de desabamento de estação

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da Folha Online

Atualizado às 19h11.

O Consórcio Via Amarela alega que colaborou com as autoridades durante as investigações do desabamento da futura estação Pinheiros do metrô, em janeiro de 2007. Sete pessoas morreram.

Nesta terça-feira a Justiça aceitou a denúncia do Ministério Público e abriu processo contra 13 pessoas pelo acidente --funcionários do consórcio e do Metrô.

"O Consórcio Via Amarela vê com serenidade a denúncia do Ministério Público e entende que a Justiça é o foro imparcial e adequado para julgar o caso após a apresentação de provas documentais, materiais e testemunhais que serão feitas oportunamente", diz a nota enviada pelo consórcio.

Os funcionários foram acusados por homicídio culposo nas modalidades negligência e imprudência. O promotor Arnaldo Hossepian Júnior também pediu que outras duas pessoas --uma do Consórcio Via Amarela e outra do Metrô-- sejam ouvidas.

O Via Amarela alega que logo após o acidente priorizou o resgate das vítimas, a acomodação dos desalojados e a indenização das famílias diretamente atingidas pela tragédia. "Em um ano foram solucionados os casos dos envolvidos, sem nenhuma ação na Justiça", afirma a nota.

Por meio de nota, o Metrô informou que ainda não teve acesso ao processo e se manifestará assim que isso ocorrer. A empresa afirma que continuará a colaborar com as investigações.

Processo

O promotor decidiu responsabilizar criminalmente um ex-diretor do Consórcio Via Amarela, um ex-gerente do Metrô de São Paulo e outros 11 técnicos pela cratera.

Para a acusação, Hossepian Jr. utilizou laudos levantados por diversas investigações, com destaque para as conclusões do IC (Instituto de Criminalística). O promotor recebeu o laudo em agosto de 2008, e o documento aponta que a tragédia não foi resultado de uma fatalidade, conforme parecer do Consórcio Via Amarela, responsável pela construção da nova linha de metrô. Segundo o laudo, não há um motivo único do desabamento, mas sim cinco fatores que prevaleceram como causas, além de uma série de outros fatores que contribuíram para o acidente.

A denúncia apresentada pela Promotoria tem 36 páginas. O inquérito policial é composto por nove volumes e 69 anexos, entre eles laudos. Durante as investigações, 66 pessoas foram ouvidas.

Acusados

O desabamento nas obras aconteceu no dia 12 de janeiro de 2007, matando sete pessoas: três que iam a pé para a estação de trem, duas que estavam em uma lotação engolida pelo buraco, um office-boy que circulava pela região e um motorista de caminhão que estava na superfície do canteiro.

O principal nome denunciado --o engenheiro Fábio Andreani Gandolfo-- era, naquela época, diretor do Via Amarela responsável pelo contrato.

Os integrantes do consórcio e do Metrô foram acusados pelo Ministério Público Estadual de negligência e de imprudência, com a argumentação de não terem tomado providências que poderiam evitar a cratera.

Eles foram enquadrados pelo promotor Hossepian em artigos do Código Penal que tratam de desabamento seguido de morte ---homicídio considerado culposo (sem intenção).

A maioria dos acusados é de técnicos, como engenheiros, projetistas e fiscais. Nenhum membro da direção do Metrô foi alvo da denúncia.

Arte/Folha
 

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