RS registra 1ª morte por febre amarela depois de 43 anos; veja lista de cidades em área de risco
GRACILIANO ROCHA
da Agência Folha, em Porto Alegre
O governo do Rio Grande do Sul confirmou ontem a morte de uma pessoa por febre amarela. É o primeiro caso de morte em decorrência da doença desde 1966 no Estado. Outros dois casos são investigados. As autoridades estaduais de saúde elevaram de 87 para 99 (de um total de 496) o número de cidades na zona de risco.
Com população de 1,1 milhão de habitantes, municípios em alerta estão no noroeste e no centro do Rio Grande do Sul.
O governo pretende intensificar a vacinação nestes municípios e estimular pessoas que pretendem visitar as cidades na área de risco a se imunizar antes da viagem.
O alerta para o aumento do risco de contágio da variedade silvestre da febre amarela, propagada pelo mosquito Haemagogus, veio após a descoberta de centenas de macacos mortos nos últimos 90 dias.
A possibilidade de contágio é maior entre pessoas que vivem na zona rural das cidades ou que visitam áreas de mata onde o mosquito vive.
O primeiro caso confirmado da doença é o de uma dona-de-casa de 31 anos, moradora de Santo Ângelo, que não teve o nome divulgado. De acordo com a secretaria, ela apresentou os sintomas da doença em 18 de dezembro e morreu no dia 25, no Natal.
Dias antes de começar a sentir febre, ela visitou uma região de mata no interior do município. A causa da morte foi atestada por exames feitos no Instituto Adolfo Lutz (SP).
Há suspeita de outros dois casos de febre amarela em humanos. São pessoas que estiveram em uma mata no município de Pirapó, no noroeste do Estado, onde macacos foram encontrados mortos.
Um metalúrgico, que vivia na cidade de Nova Santa Rita, morreu anteontem em Porto Alegre com os sintomas da doença. No final de dezembro, o homem acampou em Pirapó. A causa da morte está sendo investigada e a Secretaria Estadual de Saúde informou que o resultado dos exames deverá ficar pronto dentro de dez dias. A secretaria não informou detalhes sobre o outro caso.
"É uma situação grave porque metade das pessoas que são infectadas morre, mas tomamos todas as medidas para intensificar a vacinação nas áreas de risco e evitar uma epidemia", disse o secretário Osmar Terra ontem.
Em todo o país, ao menos 25 pessoas morreram em decorrência da doença em 2008.
Um carregamento com 500 mil novas doses da vacina foi enviado pelo Ministério da Saúde e começará a ser distribuído hoje. Em 52 municípios, considerados área de risco desde o final de 2001, 95% da moradores já estão imunizados.
Nas outras 48 cidades, onde vivem 600 mil habitantes, o índice de cobertura da vacina é de apenas 24% da população. Destas, 35 cidades passaram a ser consideradas áreas de risco de contágio em dezembro e 12 em janeiro, após a descoberta de macacos mortos na zona rural.
Terra pediu às prefeituras da região afetada que ampliem o horário de atendimento dos postos de saúde. Mas, para ele, a possibilidade de o vírus da febre amarela chegar à zona urbana é "muito pequena".
Alerta
O principal indicativo do aumento da atividade do vírus da febre amarela no Sul é a grande quantidade de macacos bugio encontrados mortos nas matas gaúchas.
Foram achados 311 deles entre outubro e dezembro em 36 municípios, segundo a Secretaria Estadual da Saúde. Exames laboratoriais confirmaram a causa da morte em 18 exemplares analisados.
Em surtos de febre amarela silvestre, as mortes de macacos costumam preceder o contágio de seres humanos. No Rio Grande do Sul, uma morte já foi confirmada e outros dois casos estão sendo apurados.
"É um fato inusitado que mais de 300 macacos tenham morrido com sintomas de febre amarela em 90 dias na região ecológica entre os rios Ijuí e Piratini. Pelos dados que dispomos, o fenômeno continua acontecendo", disse Francisco Paz, chefe do Centro Estadual de Vigilância em Saúde.
O monitoramento feito pelas autoridades indica que o vírus está se propagando do oeste para o leste da região. O governo gaúcho ainda não tem uma explicação para o aumento do número de macacos infectados e mortos e, consequentemente, a volta de casos em humanos no Estado. "Acreditamos que isso possa estar relacionado com algum tipo de desequilíbrio ecológico, mas ainda não existe nenhum estudo sobre isso", disse Paz.
Confira as 99 cidades consideradas área de risco para a febre amarela no Rio Grande do Sul.
ÁREA DE RISCO/VACINAÇÃO EM 2001
Alecrim
Alpestre
Ametista do Sul
Barra do Guarita
Bossoroca
Caiçara
Campina das Missões
Cândido Godói
Crissiumal
Derrubadas
Dezesseis de Novembro
Doutor Maurício Cardoso
Esperança do Sul
Frederico Westphalen
Garruchos
Horizontina
Iraí
Itacurubi
Jaguari
Jari
Mata
Nova Candelária
Nova Esperança do Sul
Novo Machado
Palmitinho
Pinheirinho do Vale
Pirapó
Planalto
Porto Lucena
Porto Mauá
Porto Vera Cruz
Porto Xavier
Roque Gonzales
Santiago
Santo Antônio das Missões
Santo Cristo
São Borja
São Francisco de Assis
São Luiz Gonzaga
São Nicolau
São Paulo das Missões
São Pedro do Sul
São Vicente do Sul
Tenente Portela
Tiradentes do Sul
Toropi
Três Passos
Tucunduva
Tuparendi
Vicente Dutra
Vista Alegre
Vista Gaúcha
ÁREA DE RISCO/VACINAÇÃO 2008
Ajuricaba
Augusto Pestana
Boa Vista do Cadeado
Bom Progresso
Bozano
Caibaté
Capão do Cipó
Catuípe
Cerro Largo
Chiapetta
Coronel Barros
Cruz Alta
Entre-Ijuís
Eugênio de Castro
Giruá
Guarani das Missões
Humaitá
Ijuí
Jóia
Mato Queimado
Miraguaí
Nova Ramada
Pejuçara
Rolador
Salvador das Missões
Santa Rosa
Santo Ângelo
São Miguel das Missões
São Pedro do Butiá
Senador Salgado Filho
Sete de Setembro
Três de Maio
Tupanciretã
Ubiretama
Vitória das Missões
NOVA ÁREA DE RISCO/VACINAÇÃO
Alto Alegre
Boa Vista do Incra
Campos Borges
Espumoso
Fortaleza dos Valos
Jacuizinho
Júlio de Castilhos
Maçambara
Quevedos
Quinze de Novembro
Salto do Jacuí
Unistalda
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