Promotor afirma que é impossível Lindemberg escapar de júri popular
CLAYTON FREITAS
da Folha Online
O promotor Antonio Nobre Folgado afirmou nesta quinta-feira que é "impossível" que Lindemberg Alves, 22, não seja levado a júri popular. Em outubro do ano passado, o rapaz manteve a ex-namorada refém por aproximadamente cem horas em Santo André (Grande São Paulo), e hoje a Justiça ouve depoimentos do caso, que terminou com a morte da menina.
| Arquivo pessoal |
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| Eloá Cristina Pimentel,15, foi morta após ficar cerca de cem horas refém pelo ex-namorado em Santo André, na Grande SP, em 2008 |
Segundo o promotor, laudos do IC (Instituto de Criminalística) anexados ontem ao processo mostram que não houve tiro no apartamento onde ocorria o cárcere privado antes da invasão do Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais, da Polícia Militar). No desfecho, Eloá Cristina Pimentel, 15, foi baleada na cabeça por Lindemberg e não resistiu aos ferimentos. Nayara Rodrigues, amiga de Eloá e que também estava no imóvel, ficou ferida.
O promotor afirma que a conclusão do laudo é irrelevante porque, para ele, Lindemberg havia premeditado o crime. Ele disse que vai insistir na acusação de homicídio duplamente (motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima) contra Eloá, tentativa de homicídio contra Nayara e contra um policial militar, cárcere privado contra cinco pessoas, além de posse e disparo de arma de fogo.
A expectativa do promotor é de que o juiz José Carlos de França Carvalho Neto, da Vara do Júri e Execuções Criminais de Santo André, decida ainda hoje se Lindemberg será ou não levado a júri. Caso isso aconteça, Folgado diz acreditar que o júri ocorra dentro de três meses.
Depoimentos
Nesta quinta serão ouvidas pessoas arroladas pela defesa e pela acusação, além de Lindemberg.
Nayara iniciou os depoimentos, por volta das 9h20, sem a presença do acusado.
Entre as testemunhas de acusação também estão dois amigos das vítimas, que foram rendidos no início do cárcere privado.
Entre as pessoas arroladas pela defesa de Lindemberg estão cinco policiais militares. O rapaz está acompanhado dos advogados Ana Lúcia Assad e Edson Pereira Belo da Silva.
Pai de Eloá
Com o caso, descobriu-se que o pai de Eloá, Everaldo Pereira dos Santos, utilizava documento falso e é um ex-PM suspeito de assassinato em Alagoas. Ele está foragido.
No processo, ele também é tratado como réu. Isso porque ele mantinha no apartamento onde a filha foi mantida refém pelo ex-namorado havia uma espingarda calibre 22. Sem saber manusear a arma, Lindemberg chegou a disparar um tiro acidental. Segundo a Justiça, o processo deverá ser desmembrado.
O advogado de Santos, José Beraldo, afirma que o cliente poderia manter a arma no apartamento e, sobre a falsidade ideológica, defende que o pai de Eloá não poderia criar prova contra si, por isso, mantinha o documento falso. O advogado nega o possível elo de Santos com o crime praticado por Lindemberg, como vê a Justiça.
Cárcere privado
Inconformado com o fim do namoro de mais de dois anos, Lindemberg decidiu render a ex-namorada no dia 13 de outubro, ao invadir o apartamento dela, em um conjunto habitacional do Jardim Santo André, em Santo André.
| 17.out.2008/Folha Imagem |
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| Lindemberg Alves é preso após PM invadir apartamento; ele responde pela morte de Eloá entre outras acusações |
Na ocasião, Eloá estava em companhia de três amigos --dois garotos liberados no mesmo dia e de Nayara que, apesar de ter sido libertada 33 horas depois, retornou ao apartamento no dia 16 de outubro.
No desfecho do caso, a polícia invadiu o apartamento, alegando ter ouvido um tiro de dentro do imóvel e porque o comportamento de Lindemberg naquele dia estava bastante agressivo. O rapaz atirou contra Eloá e Nayara, causando a morte da ex-namorada e ferindo a amiga dela na boca.
De acordo com o TJ-SP, Lindemberg responde pelos crimes de homicídio qualificado (motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima), tentativa de homicídio (contra Nayara), cárcere privado e disparo de arma de fogo. Ele permanece preso em Tremembé (147 km de São Paulo) e, nesta quinta, acompanha os depoimentos.
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