Nayara depõe e confirma à Justiça que voltou a apartamento ao ver amiga ameaçada
CLAYTON FREITAS
da Folha Online
A adolescente Nayara Rodrigues foi a primeira a ser ouvida pela Justiça nesta quinta-feira sobre a morte da amiga Eloá Pimentel, que foi mantida refém pelo ex-namorado por cerca de cem horas, em outubro do ano passado, em Santo André (Grande São Paulo).
Nayara foi ouvida por aproximadamente uma hora e quarenta minutos pelo juiz José Carlos de França Carvalho Neto, da Vara do Júri e Execuções Criminais de Santo André. Ela contou como conheceu Eloá, falou sobre os primeiros momentos do cárcere privado, confirmou que Lindemberg Alves, 22, insistia com a garota para retomar o namoro e que voltou ao apartamento --após ter sido libertada porque viu a amiga sob ameaça de uma arma.
Ela afirmou que, após ser libertada, dormiu na casa da avó e, no dia seguinte, policiais militares estiveram no local e pediram para que ela entrasse em contato por telefone com Lindemberg e que o rapaz mandou que ela subisse até o apartamento. A adolescente disse que decidiu entrar no imóvel ao ver que a amiga estava sob a mira de um revólver.
Eloá foi baleada com um tiro na cabeça, disparado por Lindemberg, no desfecho do caso --quando policiais militares invadiram o apartamento. À Justiça a adolescente afirmou que, momentos antes da invasão, ouviu um estampido e que, em seguida, a porta caiu e os PMs entraram no apartamento. Ela diz que não sabe identificar se seria um tiro.
A menina não foi questionada sobre os tiros disparados por Lindemberg no momento da invasão e também não falou sobre os disparos feitos por ele. Disse, no entanto, que percebeu que Eloá havia sido atingida e estava inconsciente quando já deixava o apartamento com os policiais, ferida.
Depoimentos
Nesta quinta serão ouvidas pessoas arroladas pela defesa e pela acusação, além de Lindemberg. Depois, o juiz decidirá se o acusado será levado a júri popular.
Nayara iniciou os depoimentos, por volta das 9h20, sem a presença do acusado. Entre as testemunhas de acusação também estão dois amigos das vítimas, que foram rendidos no início do cárcere privado. Eles também deverão pedir para falar sem a presença de Lindemberg.
Entre as pessoas arroladas pela defesa do acusado estão cinco policiais militares. Ele está acompanhado dos advogados Ana Lúcia Assad e Edson Pereira Belo da Silva.
Cárcere privado
Inconformado com o fim do namoro de mais de dois anos, Lindemberg decidiu render a ex-namorada no dia 13 de outubro, ao invadir o apartamento dela, em um conjunto habitacional do Jardim Santo André, em Santo André.
| 17.out.2008/Folha Imagem |
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| Lindemberg Alves é preso após PM invadir apartamento; ele responde pela morte de Eloá entre outras acusações |
Na ocasião, Eloá estava em companhia de três amigos --dois garotos liberados no mesmo dia e de Nayara que, apesar de ter sido libertada 33 horas depois, retornou ao apartamento no dia 16 de outubro.
No desfecho do caso, a polícia invadiu o apartamento, alegando ter ouvido um tiro de dentro do imóvel e porque o comportamento de Lindemberg naquele dia estava bastante agressivo. O rapaz atirou contra Eloá e Nayara, causando a morte da ex-namorada e ferindo a amiga dela na boca.
De acordo com o TJ-SP, Lindemberg responde pelos crimes de homicídio qualificado (motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima), tentativa de homicídio (contra Nayara), cárcere privado e disparo de arma de fogo. Ele permanece preso em Tremembé (147 km de São Paulo) e, nesta quinta, acompanha os depoimentos.
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