Em dia de depoimentos, mãe de Eloá vai a fórum para ver Lindemberg
CLAYTON FREITAS
da Folha Online
Ana Cristina Pimentel, mãe de Eloá, 15, que morreu baleada após ser mantida refém pelo ex-namorado, esteve nesta quinta-feira no fórum de Santo André (Grande São Paulo) e disse que queria ver Lindemberg Alves, preso pelo crime. A Justiça ouve hoje pessoas arroladas pela acusação e pela defesa do rapaz.
Ela disse, no entanto, que Lindemberg não teve coragem de olhar em seus olhos. "Ele sabe que é culpado e poderia ter evitado isso [a morte de Eloá]".
| Rivaldo Gomes/Folha Imagem |
![]() |
| Advogados de Lindemberg chegam ao fórum de Santo André para acompanhar depoimentos |
"Ele é frio. Vim para ter a certeza de tudo o que ele fez. Eu o tratava como um filho. Ele era praticamente da família", disse Ana Cristina emocionalmente abalada, em frente ao fórum.
Segundo a mãe de Eloá, Lindemberg era possessivo, mas um bom rapaz, durante o período em que namorou sua filha. "Que a justiça do Senhor seja feita", afirmou.
Depoimentos
Até o começo da tarde, o José Carlos de França Carvalho Neto, da Vara do Júri e Execuções Criminais de Santo André, ouviu as cinco pessoas arroladas pela acusação, entre elas a adolescente Nayara Rodrigues e dois amigos que estavam no apartamento de Eloá quando Lindemberg invadiu o local.
Nayara foi a primeira a falar. Por aproximadamente uma hora e quarenta minutos, ela contou como conheceu Eloá, falou sobre os primeiros momentos do cárcere privado, confirmou que Lindemberg insistia com a garota para retomar o namoro e afirmou que voltou ao apartamento --após ter sido libertada porque viu a amiga sob ameaça de uma arma.
Além da garota, o juiz ouviu dois adolescentes --amigos de Eloá e que também estavam no apartamento quando Lindemberg invadiu o imóvel.
Acompanhado do pai, um deles afirmou que, com o fim do namoro, Lindemberg passou a trafegar várias vezes de moto em frente à escola onde estudava Eloá, o que não ocorria durante o relacionamento. Disse, ainda, que Lindemberg batia no rosto e puxava o cabelo da adolescente durante o cárcere, principalmente quando era contrariado.
O outro garoto prestou depoimento das 11h25 às 11h50, acompanhado da mãe e de uma psicóloga. Os três jovens preferiram falar sem a presença de Lindemberg.
À Justiça o sargento da PM Atos Antonio Valeriano disse que Lindemberg estava agressivo nas horas seguintes ao início do cárcere. Na primeira noite, o rapaz disparou, da janela do apartamento, um tiro em direção ao policial, que foi afastado das negociações.
Ewerton Douglas Pimentel, irmão de Eloá, foi a última testemunha de acusação ouvida, das 12h15 às 12h35.
Na tarde de hoje, serão ouvidas nove pessoas arroladas pela defesa --incluindo policiais militares--, segundo o promotor Antonio Nobre Folgado. Lindemberg também deve ser interrogado --ele está acompanhado dos advogados Ana Lúcia Assad e Edson Pereira Belo da Silva.
Após os depoimentos, o juiz decidirá se Lindemberg será levado a júri popular. Para o promotor, é "impossível" que o rapaz não seja pronunciado.
Pai de Eloá
Com o caso, descobriu-se que o pai de Eloá, Everaldo Pereira dos Santos, utilizava documento falso e é um ex-PM suspeito de assassinato em Alagoas. Ele está foragido.
No processo, ele também é tratado como réu. Isso porque ele mantinha no apartamento onde a filha foi mantida refém pelo ex-namorado havia uma espingarda calibre 22. Sem saber manusear a arma, Lindemberg chegou a disparar um tiro acidental. Segundo a Justiça, o processo deverá ser desmembrado.
O advogado de Santos, José Beraldo, afirma que o cliente poderia manter a arma no apartamento e, sobre a falsidade ideológica, defende que o pai de Eloá não poderia criar prova contra si, por isso, mantinha o documento falso. O advogado nega o possível elo de Santos com o crime praticado por Lindemberg, como vê a Justiça.
O caso
Inconformado com o fim do namoro de mais de dois anos, Lindemberg decidiu render a ex-namorada no dia 13 de outubro, ao invadir o apartamento dela, em um conjunto habitacional do Jardim Santo André, em Santo André. O desfecho ocorreu cerca de cem horas depois.
| 17.out.2008/Folha Imagem |
![]() |
| Lindemberg Alves é preso após PM invadir apartamento; ele responde pela morte de Eloá entre outras acusações |
Na ocasião, Eloá estava em companhia de três amigos --dois garotos liberados no mesmo dia e de Nayara que, apesar de ter sido libertada 33 horas depois, retornou ao apartamento no dia 16 de outubro.
No desfecho do caso, a polícia invadiu o apartamento, alegando ter ouvido um tiro de dentro do imóvel e porque o comportamento de Lindemberg naquele dia estava bastante agressivo. O rapaz atirou contra Eloá e Nayara, causando a morte da ex-namorada e ferindo a amiga dela na boca.
De acordo com o TJ-SP, Lindemberg responde pelos crimes de homicídio qualificado (motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima), tentativa de homicídio (contra Nayara), cárcere privado e disparo de arma de fogo. Ele permanece preso em Tremembé (147 km de São Paulo) e, nesta quinta, acompanha os depoimentos.
Leia mais sobre o caso Eloá
- Nayara depõe e confirma à Justiça que voltou a apartamento ao ver amiga ameaçada
- Promotor afirma que é impossível Lindemberg escapar de júri popular
- Leia a cobertura completa do caso Eloá
Leia outras notícias da editoria de Cotidiano
- Menina tem o dedo decepado por professor no Rio
- Bombeiros iniciam operação para resgatar corpos de vítimas da queda de avião no RJ
- Pais encontram faxineira que localizou recém-nascida dada como morta em SP
Especial
- Leia mais sobre o caso Eloá em nossos arquivos
- Navegue no melhor roteiro de cultura e diversão da internet
Livraria



