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Cotidiano
08/01/2009 - 15h40

Terminam depoimentos de testemunhas do caso Eloá; PMs confirmam ter ouvido tiro

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CLAYTON FREITAS
da Folha Online

A Justiça de São Paulo ouviu nesta quinta-feira cinco testemunhas de acusação e nove de defesa no caso do cárcere privado que resultou na morte de Eloá Pimentel, 15, baleada após ser mantida refém pelo ex-namorado por cerca de cem horas em Santo André, na Grande São Paulo. Agora, o acusado, Lindemberg Alves, 22, deve ser interrogado.

Pela manhã foram ouvidas cinco pessoas arroladas pela acusação --Nayara Rodrigues e outros dois rapazes (amigos de Eloá e que também foram rendidos), um policial militar e um irmão de Eloá.

Arquivo pessoal
Eloá Cristina Pimentel,15, foi morta após ficar cerca de cem horas refém pelo ex-namorado em Santo André, na Grande SP, em 2008
Eloá Cristina Pimentel,15, foi morta após ficar cerca de cem horas refém pelo ex-namorado em Santo André, na Grande SP, em 2008

Depois, nove pessoas arroladas pela defesa de Lindemberg prestaram depoimento, entre elas três policiais militares do Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais) que participaram do desfecho do caso e confirmaram à Justiça que ouviram um tiro antes de invadirem o apartamento.

O primeiro PM ouvido foi Daylson Moreira Pereira. No depoimento, que começou às 13h55, ele afirmou à Justiça que estava no apartamento vizinho. O policial, que ouvia as conversas no imóvel com a ajuda de um copo, disse que a orientação era invadir o apartamento se algum tiro fosse disparado, o que, segundo ele, aconteceu.

Às 14h05, o policial Maurício Martins de Oliveira começou a ser ouvido. Ele afirmou ter ouvido um tiro pela manhã e o segundo momentos antes de o imóvel ser invadido. Ele foi o primeiro PM a avistar Eloá e a amiga Nayara Rodrigues baleadas.

Das 14h20 às 14h30 foi a vez do PM Mário Magalhães Neto. Todos disseram que Lindemberg resistiu à prisão.

Em um período de 25 minutos, outras seis pessoas, amigos e vizinhos de Lindemberg, também foram ouvidas.

Avelino Nascimento da Silva, Robson Muriel dos Santos, Romerio Francisco de Queiroz Oliveira, Diego Cordeiro dos Santos Silva, Dari Rodrigues da Silva e Elton Nogueira disseram ao juiz José Carlos de França Carvalho Neto, da Vara do Júri e Execuções Criminais de Santo André (Grande São Paulo) que Lindemberg era trabalhador e tinha uma boa conduta.

Após interrogar Lindemberg, o juiz José Carlos de França Carvalho Neto, da Vara do Júri e Execuções Criminais de Santo André, decidirá se ele deve ou não ser levado a júri popular. Para o promotor Antonio Nobre Folgado, caso ele seja pronunciado hoje, a expectativa é de que o júri ocorra dentro de três meses.

Acusação

Os depoimentos desta quinta começaram com as as pessoas arroladas pela acusação. Nayara foi a primeira a falar. Por aproximadamente uma hora e quarenta minutos, ela contou como conheceu Eloá, falou sobre os primeiros momentos do cárcere privado, confirmou que Lindemberg insistia com a garota para retomar o namoro e afirmou que voltou ao apartamento --após ter sido libertada porque viu a amiga sob ameaça de uma arma.

Além de Nayara, o juiz ouviu dois adolescentes --amigos de Eloá e que também estavam no apartamento quando Lindemberg invadiu o imóvel.

Acompanhado do pai, um deles afirmou que, com o fim do namoro, Lindemberg passou a trafegar várias vezes de moto em frente à escola onde estudava Eloá, o que não ocorria durante o relacionamento. Disse, ainda, que Lindemberg batia no rosto e puxava o cabelo da adolescente durante o cárcere, principalmente quando era contrariado.

O outro garoto prestou depoimento das 11h25 às 11h50, acompanhado da mãe e de uma psicóloga. Os três jovens preferiram falar sem a presença de Lindemberg.

À Justiça o sargento da PM Atos Antonio Valeriano disse que Lindemberg estava agressivo nas horas seguintes ao início do cárcere. Na primeira noite, o rapaz disparou, da janela do apartamento, um tiro em direção ao policial, que foi afastado das negociações.

Ewerton Douglas Pimentel, irmão de Eloá, foi a última testemunha de acusação ouvida, das 12h15 às 12h35.

O caso

Inconformado com o fim do namoro de mais de dois anos, Lindemberg decidiu render a ex-namorada no dia 13 de outubro, ao invadir o apartamento dela, em um conjunto habitacional do Jardim Santo André, em Santo André. O desfecho ocorreu cerca de cem horas depois.

17.out.2008/Folha Imagem
Lindemberg Alves é preso após PM invadir apartamento; ele responde pela morte de Eloá entre outras acusações
Lindemberg Alves é preso após PM invadir apartamento; ele responde pela morte de Eloá entre outras acusações

Na ocasião, Eloá estava em companhia de três amigos --dois garotos liberados no mesmo dia e de Nayara que, apesar de ter sido libertada 33 horas depois, retornou ao apartamento no dia 16 de outubro.

No desfecho do caso, a polícia invadiu o apartamento, alegando ter ouvido um tiro de dentro do imóvel e porque o comportamento de Lindemberg naquele dia estava bastante agressivo. O rapaz atirou contra Eloá e Nayara, causando a morte da ex-namorada e ferindo a amiga dela na boca.

De acordo com o TJ-SP, Lindemberg responde pelos crimes de homicídio qualificado (motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima), tentativa de homicídio (contra Nayara), cárcere privado e disparo de arma de fogo. Ele permanece preso em Tremembé (147 km de São Paulo) e, nesta quinta, acompanha os depoimentos.

Colaborou LÍVIA MARRA, editora de Cotidiano da Folha Online

 

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