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Cotidiano
08/01/2009 - 19h05

Defesa quer anular decisão que leva Lindemberg a júri popular

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da Folha Online

A defesa de Lindemberg Alves, 22, informou que vai pedir a nulidade da decisão da Justiça de levar o rapaz a júri popular. Nesta quinta-feira, a Justiça ouviu cinco pessoas arroladas pela acusação e outras nove, pela defesa e decidiu que o jovem deve ser julgado pela morte de Eloá Pimentel, 15.

Rivaldo Gomes/Folha Imagem
Advogados de Lindemberg chegam ao fórum de Santo André para acompanhar depoimentos
Advogados de Lindemberg chegam ao fórum de Santo André para acompanhar depoimentos

Para a advogada Ana Lúcia Assad, houve uma "pressa-pressão" para a Justiça levar seu cliente a júri. Segundo ela, a defesa não teve acesso a laudos anexados ontem ao processo, e, por isso, Lindemberg foi orientado a ficar calado no interrogatório de hoje.

A advogada afirma que houve cerceamento de defesa, o que foi rebatido pela Promotoria.

O promotor Antonio Nobre Folgado, que inicialmente previa que o júri poderia ocorrer em até três meses, agora afirma que o julgamento deve sofrer atraso devido aos recursos e estima que ocorra até janeiro de 2010.

De acordo com ele, os depoimentos superaram as expectativas. "Não há um depoimento específico que convenceu o juiz. É o conjunto de provas que determinou que ele vá a júri popular. Mas, sem sombra de dúvida, o depoimento mais contundente é de quem ficou mais tempo [em cativeiro], a Nayara. Mas não é o único", afirma o promotor. De acordo com ele, o depoimento dos outros dois garotos também rendidos por Lindemberg no início do caso "confirmaram a intenção de matar por parte dele".

Eloá Pimentel, ex-namorada de Lindemberg, foi baleada na cabeça após ser mantida refém por mais de cem horas, em outubro do ano passado, em Santo André (Grande São Paulo). Além do cárcere privado e da morte da adolescente, o rapaz também é acusado de duas tentativas de homicídio.

Depoimentos

Os depoimentos desta quinta começaram com as as pessoas arroladas pela acusação. Nayara foi a primeira a falar. Por aproximadamente uma hora e quarenta minutos, ela contou como conheceu Eloá, falou sobre os primeiros momentos do cárcere privado, confirmou que Lindemberg insistia com a garota para retomar o namoro e afirmou que voltou ao apartamento --após ter sido libertada porque viu a amiga sob ameaça de uma arma.

Além de Nayara, o juiz José Carlos de França Carvalho Neto, da Vara do Júri e Execuções Criminais de Santo André, ouviu dois adolescentes --amigos de Eloá e que também estavam no apartamento quando Lindemberg invadiu o imóvel.

Acompanhado do pai, um deles afirmou que, com o fim do namoro, Lindemberg passou a trafegar várias vezes de moto em frente à escola onde estudava Eloá, o que não ocorria durante o relacionamento. Disse, ainda, que Lindemberg batia no rosto e puxava o cabelo da adolescente durante o cárcere, principalmente quando era contrariado.

O outro garoto prestou depoimento das 11h25 às 11h50, acompanhado da mãe e de uma psicóloga. Os três jovens preferiram falar sem a presença de Lindemberg.

À Justiça o sargento da PM Atos Antonio Valeriano disse que Lindemberg estava agressivo nas horas seguintes ao início do cárcere. Na primeira noite, o rapaz disparou, da janela do apartamento, um tiro em direção ao policial, que foi afastado das negociações.

Ewerton Douglas Pimentel, irmão de Eloá, foi a última testemunha de acusação ouvida, das 12h15 às 12h35.

À tarde, nove pessoas arroladas pela defesa foram ouvidas: três policiais militares do Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais) que participaram do desfecho do caso e confirmaram à Justiça que ouviram um tiro antes de invadirem o apartamento.

Em um período de 25 minutos, outras seis pessoas, amigos e vizinhos de Lindemberg, também foram ouvidas.

Avelino Nascimento da Silva, Robson Muriel dos Santos, Romerio Francisco de Queiroz Oliveira, Diego Cordeiro dos Santos Silva, Dari Rodrigues da Silva e Elton Nogueira disseram ao juiz José Carlos de França Carvalho Neto, da Vara do Júri e Execuções Criminais de Santo André (Grande São Paulo) que Lindemberg era trabalhador e tinha uma boa conduta.

 

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