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Cotidiano
08/01/2009 - 20h20

Polícia de São Paulo persegue família de Eloá, diz advogado

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Colaboração para a Folha Online

O advogado da família de Eloá Pimentel, morta pelo ex-namorado, Lindemberg Alves, no dia 17 de outubro, após passar mais de cem horas em cárcere privado, afirmou que a família da jovem está sendo perseguida pela polícia de São Paulo.

Segundo o advogado José Beraldo, policiais têm visitado periodicamente a residência onde a mãe de Eloá, Ana Cristina Pimentel, está hospedada. O objetivo da polícia é encontrar o pai da adolescente, Everaldo da Silva, 53, que supostamente teria participado do assassinato de um delegado de polícia de Alagoas.

Arquivo pessoal
Eloá Cristina Pimentel,15, foi morta após ficar cerca de cem horas refém pelo ex-namorado em Santo André, na Grande SP, em 2008
Eloá Cristina Pimentel,15, foi morta após ficar cerca de cem horas refém pelo ex-namorado em Santo André, na Grande SP, em 2008

A mãe da adolescente confirmou a denúncia do advogado e fez um pedido público para que a polícia deixe a família em paz. "Quero deixar bem claro que eu não sei onde meu marido está. Se alguém souber pode me falar, porque eu tenho mais dois filhos para criar e preciso dele", afirmou Ana Cristina.

O pai de Eloá, Everaldo Pereira dos Santos, é acusado de utilizar documento falso e por posse ilegal de arma. Isso porque ele tinha, no apartamento onde a filha foi mantida refém pelo ex-namorado, uma espingarda calibre 22. Lindemberg teria chegado a disparar um tiro com a arma.

Sobre as denúncias, Ana Cristina afirmou na tarde desta quinta-feira que o marido é inocente, e acrescentou: "ele é um bom pai. Homem simples e trabalhador". O advogado da família ressaltou que Santos usou nome falso como forma de não criar prova contra si mesmo, dessa forma não pode ser considerado falsidade ideológica.

Quanto a espingarda, os advogados José Beraldo e José Carlos Franco Faria afirmam que as investigações vão apontar que a arma era do próprio Lindemberg e teria sido levada para o apartamento de Eloá por ele, dias antes do crime.

Os advogados da família também elogiaram a ação do Gate durante todo o tempo em que Eloá foi mantida em cárcere privado. "O Gate é um exemplo de polícia. Ninguém pode censurar a ação, eles foram enganados pelo Lindemberg, achando que ele era um jovem apaixonado".

Encontro com Lindemberg

Durante a coletiva que aconteceu no escritório dos advogados da família de Eloá, a mãe da adolescente comentou como foi reencontrar Lindemberg nesta quinta-feira no fórum de Santo André, onde acompanhou o filho de 14 anos que prestou depoimento hoje à Justiça.

"Eu queria que ele olhasse dentro dos meus olhos pra que eu pudesse ver arrependimento nos olhos dele, mas ele não olhou para mim. Não pensei que ele pudesse ser tão frio", desabafou Ana Cristina, bastante emocionada.

Foram ouvidos hoje, pela Justiça, cinco testemunhas de acusação e nove da defesa. Entre as pessoas que prestaram depoimento estavam Nayara Rodrigues e dois amigos que estavam no apartamento de Eloá quando Lindemberg invadiu o local.

Ana Cristina afirmou que essa foi a primeira vez que ela viu Nayara desde a morte de Eloá. "Ela me abraçou e falou que vai na minha casa para conversarmos". A mãe de Eloá acrescentou, "tenho que agradecer à Nayara por ter tentado tirar minha filha de lá com vida".

Após ouvir as testemunhas de defesa e de acusação, o juiz José Carlos de França Carvalho Neto, da Vara do Júri e Execuções Criminais de Santo André (Grande São Paulo), decidiu nesta quinta-feira que Lindemberg Alves, 22, deve ser levado a júri popular, pela morte de Eloá.

 

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