PF prende suposto líder de quadrilha que fabricava e vendia armas para o PCC
MARINA NOVAES
da Folha Online
A Polícia Federal em São Paulo prendeu quatro suspeitos de integrar uma quadrilha que fabricava e comercializava armas de fogo e munições para grande facções criminosas do Estado, entre elas o PCC (Primeiro Comando da Capital). As prisões ocorreram durante a Operação Visconde, realizada nas cidades de São Paulo, Mauá e Santo André, concluída nesta sexta-feira. Dois suspeitos continuam foragidos: Lindivaldo Leite Soares e Romildo Borges de Araújo.
De acordo com o delegado da PF Fábio Simões, responsável pelas investigações, parte das armas eram de fabricação caseira e parte vinha do Paraguai. A PF não revelou quanto a quadrilha faturava com a comercialização, porém, informou que algumas armas eram vendidas por até R$ 2.000 (fuzis e metralhadoras).
Segundo a PF, o grupo fornecia armas para membros do PCC nas ruas e em presídios. A polícia disse suspeitar ainda que as armas eram vendidas também para facções criminosas de outros Estados. Além do PCC, eram clientes da quadrilha grupos especializados em roubos a bancos na região metropolitana de São Paulo.
"Conseguimos desarticular um grande braço do crime organizado em São Paulo", afirmou Simões, em entrevista coletiva concedida na tarde de hoje.
A Operação Visconde começou na quarta-feira (7) e, nos três dias de ação, apreendeu duas submetralhadoras caseiras, uma pistola furtada da Polícia Militar, uma carabina, além de dezenas de revólveres, pistolas, peças para fabricação de armas, munição, cheques e celulares.
Dois homens, um de 59 e outro de 36 anos, foram presos na quarta; uma mulher de 59 anos foi detida quinta (8); e, hoje, foi preso um suspeito de 60 anos, que é proprietário de uma loja de armas localizada no bairro Vila Mariana, zona sul de São Paulo. Segundo a PF, o suspeito de 59 anos era o suposto líder da quadrilha.
A PF informou que o material apreendido será analisado pela perícia e encaminhado para o Exército, responsável pela destruição das armas.
De acordo com a PF, se condenados, os quatro detidos podem pegar até 28 anos de prisão pelos crimes de comércio, posse e porte de armas, além de receptação e formação de quadrilha. A Polícia Federal não informou se os suspeitos e os foragidos já possuem advogado.
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