Infecção fecha setor de hospital de Pernambuco e coloca 11 crianças em risco
da Folha Online
Uma infecção generalizada no setor de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) neonatal do Hospital das Clínicas da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco) levou a Apevisa (Agência da Vigilância Sanitária de Pernambuco) a proibir que o setor receba novos pacientes. Se a infecção que se espalhou por 11 crianças alojadas nos leitos não for reconhecida e combatida, os bebês podem morrer, segundo o gerente-geral da Apevisa, Jaime Brito.
A situação colocou em alerta a Apevisa, uma vez que as recém-nascidos não podem ser transferidos para outras unidades. Tratam-se de bebês com a saúde já debilitada e que tiveram agravamento em seu quadro de saúde devido às infecções.
Brito disse que a gerência de assistência à saúde da Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco --a qual a Apevisa é ligada-- recebeu na última sexta-feira (9) um comunicado que todos os recém-nascidos estavam infectados. O local tem capacidade para atender um total de dez crianças e contava com 13 na sexta-feira.
Uma das crianças ali internadas --e que não estava infectada-- morreu na própria sexta. Das outras 12, 6 estavam com infecção hospitalar e outras 6 tiveram a chamada infecção precoce --transmitida pela própria mãe, mas que ocorre devido às falhas do setor obstétrico da unidade, segundo a Apevisa.
Devido a isso, o setor de infecção hospitalar da agência produziu um relatório indicando a interdição para novos pacientes e o tratamento dos que ali permaneciam. Em nova visita a unidade realizada ontem, o grupo ficou sabendo que uma das crianças que teve infecção precoce melhorou e recebeu alta médica da UTI neonatal sendo transferida para a UCI (Unidade de Cuidados Intermediários), uma espécie de semi-intensivo.
Uma das crianças que estava com infecção precoce também foi contaminada pela infeção hospitalar. Atualmente, das 11 crianças que permanecem no local, 7 têm infecção hospitalar e quatro, infecção precoce.
Problemas
A Apevisa informou que a bactéria que contaminou as crianças ainda é desconhecida. Entretanto, o tratamento já teve início.
Em uma análise preliminar foi constatado que a infecção pode ter ocorrido devido a uma junção de fatores, entre os quais os principais são a superlotação e a quantidade insuficiente de profissionais que cuidam das crianças.
Esses dois fatores divergem das recomendações preconizadas pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) como ideais para atendimento a recém-nascidos nessa situação. A Anvisa estabelece uma distância mínima de 2 metros de um leito para o outro, o que não ocorria na UTI neonatal do HC de Pernambuco devido à presença de outras três crianças, o que reduziu essa distância.
Em relação aos profissionais, para atender dois recém-nascidos nessa situação, seriam necessários um técnico de enfermagem e um auxiliar de enfermagem a cada dois pacientes. A Apevisa constatou que havia uma dupla de profissionais a cada seis crianças, ou seja, duas vezes além do recomendado. "Isso significa que um mesmo profissional tratava tanto de uma criança infectada quanto de outra sadia", afirma o gerente-geral da Apevisa.
Duas recomendações foram dadas à direção do hospital. A primeira foi a de suspensão de novos pacientes e, a segunda, é que um plano de ação fosse colocado em prática para evitar a morte das crianças. O Ministério Público Estadual do Pernambuco também solicitou informações da Apevisa para averiguar se tomará alguma medida.
Outro lado
A reportagem da Folha Online tentou entrar em contato com a assessoria de imprensa do Hospital das Clínicas da Federal de Pernambuco, sem sucesso. A direção da universidade também foi procurada, mas ninguém foi localizado para comentar o assunto.
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