Polícia Civil prende suspeito de integrar máfia Chinesa em São Paulo
LUIS KAWAGUTI
da Folha de S.Paulo
A Polícia Civil prendeu hoje um homem suspeito de integrar uma Tríade --um segmento da máfia chinesa, e cobrar taxas de proteção de empresários e comerciantes chineses na região central de São Paulo. Uma vítima, que trabalha com importação de mercadorias para uma cadeia de lojas populares, disse ter sido atacada pelo suspeito e um grupo de mafiosos com golpes de artes marciais em um karaokê na Liberdade.
Chen Ming, 40, foi preso no cruzamento das ruas 25 de Março e Carlos de Souza Nazaré por volta das 11h30 de hoje por policiais do Setor de Investigações Gerais (SIG) da 1ª Delegacia Seccional. Ele disse ser empregado de um comércio e negou envolvimento com as tríades. Ming foi denunciado por um empresário chinês que possui uma importadora de eletrodomésticos e não teve o nome revelado pela polícia por questão de segurança.
A vítima disse que ele é conhecido na comunidade chinesa da região da 25 de Março por participar da máfia. Disse também que o suspeito o procurou no ano passado e exigiu inicialmente a quantia de 10 mil dólares (cerca de R$ 23 mil) em troca de proteção.
O empresário decidiu não pagar a quantia e por isso disse ter sido abordado por Ming e um grupo de comparsas em um karaokê na Liberdade no último dia 30 de dezembro, onde confraternizava com amigos.
A vítima disse que foi agredida com garrafadas e golpes de artes marciais. Ao ser preso ontem, Ming tinha marcas nas canelas que, a polícia desconfia se tratarem de sequelas do treinamento em artes marciais. Ele também possuía uma máquina de choques.
Depois da agressão, o empresário pediu ajuda da polícia, que passou a escolta-lo secretamente pelo centro de São Paulo. Ontem, segundo a polícia, Ming abordou a vítima exigindo 30 mil dólares (quase R$ 70 mil). Se não pagasse, a vítima seria morta.
O suspeito, que está no Brasil legalmente, foi preso em flagrante pelos policiais civis. Ele afirmou que imigrou da província chinesa de Fujing há cerca de três anos e trabalha em uma loja que vende pilhas, baterias e aparelhos de som.
Segundo o delegado Fernando Shimidt de Paula, do SIG, apesar do crime se assemelhar com o modo de agir de integrantes das Tríades, ainda não há provas materiais de que Ming seja um mafioso. A reportagem apurou, porém, que a polícia acredita que Ming é um soldado de uma Tríade que age em na Liberdade, no Bom Retiro, no Brás e na região da 25 de março.
Segundo o juiz aposentado Walter Maierovicht, presidente do Instituto Giovanni Falcone, as Tríades são grupos mafiosos de origem chinesa que se organizam de forma semelhante à Camorra italiana. Não possuem uma estrutura piramidal de hierarquia, funcionando a partir de várias lideranças independentes que às vezes se confrontam. Segundo ele, os imigrantes chineses costumam reproduzir os rituais e a forma de organização das Tríades em países como o Brasil, mas não têm necessariamente ligação com comparsas em seu país de origem.
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