Homenagem à ciclista atropelada reúne 150 pessoas na av. Paulista
MARINA NOVAES
da Folha Online
Atualizado às 20h30.
Um ato em homenagem à ciclista Márcia Regina de Andrade Prado, 40, morta na quarta-feira (14) após ser atropelada na avenida Paulista, em São Paulo, reuniu cerca de 150 ciclistas em uma praça na mesma avenida onde ela sofreu o acidente. A família doou o corpo para a Escola Paulista de Medicina.
| Fernando Donasci/Folha Imagem |
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| Ciclistas fazem homenagem a mulher que morreu atropelada ontem por um ônibus; família doou corpo para faculdade de SP |
"Esse era o desejo da Márcia, ou doar os órgãos para alguém ou para uma faculdade. Como demoraram 'à beça' para retirar o corpo [da avenida], tivemos de doar para a faculdade", disse a aposentada Maria Regina de Andrade, 65, mãe da ciclista.
O corpo de Márcia levou quatro horas para ser retirado da avenida Paulista por um carro do IML (Instituto Médico Legal). A mãe da ciclista também enfrentou a demora para liberar o corpo da filha no IML para a doação: aproximadamente três horas.
Para a assessoria da SSP (Secretaria de Segurança Pública), a remoção do corpo está dentro dos padrões. A média é de três horas a partir do atendimento das polícias Militar, Civil e Científica até a chegada do IML --cuja unidade central fica a 2 km.
Os familiares e os ciclistas que se reuniram na praça realizaram uma homenagem de despedida de Márcia, com velas e flores. O ato também é um protesto pela falta de respeito aos ciclistas no trânsito da cidade.
Os manifestantes se reuniram em círculos com as bicicletas e fizeram uma oração. "Pelo menos isso não vai ser em vão. Ela queria uma cidade mais humana, que as pessoas se respeitassem mais", disse a mãe de Márcia.
O estudante de administração Tinho Costa, 24, que também é ciclista, já foi atropelado e não recebeu socorro do motorista.
Em julho do ano passado ele trafegava de bicicleta pela rua Dona Antonia de Queiróz, a caminho da faculdade, quando um motorista jogou o carro em cima dele após desviar de um buraco. Ele não ficou gravemente ferido porque estava com equipamentos de segurança, como capacete e luvas.
"Para os motoristas, nós somos invisíveis. O manifesto dos invisíveis quer mostrar que a gente também existe, que somos regulamentados iguais a eles e que é preciso respeito", disse o ciclista.
Com Folha de S. Paulo e Agora
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