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Cotidiano
24/01/2009 - 10h02

Cem anos após ganhar o primeiro asfaltamento, Paulista tenta "vencer" trânsito

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CAROLINA FARIAS
da Folha Online

Neste ano de 2009, a primeira cobertura de asfalto do Estado de São Paulo completa cem anos. A primeira via asfaltada não poderia deixar de ser a mais simbólica da cidade --a Paulista. A avenida recebeu, em 1909, o primeiro asfaltamento, com material vindo da Alemanha. Cem anos depois, a via antes ocupada pelas carruagens dos barões, hoje é tomada por carros, motos, ônibus e pedestres, elementos que juntos se transformam no pior desafio para se atravessar a Paulista: o trânsito.

Leia a cobertura completa dos 455 anos de São Paulo

Em 2007 a avenida viu concluída uma das principais obras que recebeu nos últimos anos. O revestimento das calçadas, antes cobertas com mosaico português, foi trocado por concreto fundido --projeto que agradou pela acessibilidade, mas desagradou esteticamente. Nos fins de semana, graças às calçadas "lisinhas", os pedestres dividem o espaço com skatistas e patinadores. O pavimento também foi trocado e as calçadas centrais ganharam canteiros, a Paulista ganhou roupa nova.

16.jun.2008 Rubens Cavallari/Folha Imagem
Trânsito lento na avenida Paulista; congestionamentos pioram à noite
Trânsito lento na avenida Paulista; congestionamentos pioram à noite

Porém, a nova roupagem não esconde os problemas. E o trânsito ruim é o mais visível e incômodo. Quem pensa que passar pela Paulista para desviar de outra via congestionada é uma boa alternativa para não ficar "parado", pode se enganar.

Para o presidente da associação Paulista Viva, Nelson Baeta Neves, o tráfego de ônibus na avenida é o fator desencadeador dos congestionamentos. "O trânsito é o pior pior problema mesmo na Paulista. Precisa tirar o congestionamento de ônibus. Gera poluição ambiental, sonora, visual e adensamento dos veículos. O tráfego é absurdo não por causa dos carros, é por causa dos ônibus", disse.

Baeta Neves cita uma experiência que foi sugerida por Olavo Setúbal, ex-prefeito de São Paulo e presidente da associação de 1996 a 2001 e que foi aplicada na época.

"Quando ele [Setúbal] assumiu o prazo médio de intervalo entre os ônibus era de um minuto. Ele lutou e conseguiu chegar a um espaçamento médio de três minutos. Agora voltou tudo de novo. Não pode. A Paulista não é de escoamento de tráfego. É de tráfego local", afirmou Baeta Neves.

A solução proposta pela associação para melhorar o tráfego na Paulista é a retirada da circulação dos ônibus. Somente um circularia pela avenida, para aqueles que não puderem andar, de acordo com o presidente da associação. "Se tirar os ônibus a situação melhora bastante".

Calçadas novas, problemas velhos

A discussão para trocar os pisos das calçadas da Paulista durou anos. Em 2002, a prefeitura chegou a fazer um concurso para a escolha do novo pavimento. No entanto, com a mudança de gestão, o piso escolhido --que seria branco, preto e vermelho, as cores da bandeira de São Paulo-- foi preterido e deu lugar a um novo projeto, com concreto fundido.

A Paulista Viva, que apontou a necessidade da troca das calçadas, também apresentou um projeto à prefeitura, com placas de concreto pré-moldado, que seriam removidas com a necessidade de acessar o subsolo da avenida pelas concessionárias de serviços --como de telefonia e iluminação, por exemplo. A prefeitura recusou o projeto da associação.

No projeto sugerido pela Paulista Viva, as placas pré-moldadas teriam tratamento para facilitar a limpeza, afastamento umas das outras para penetrar água da chuva e seria facilmente retirada quando fosse preciso acessar o subsolo.

"É inexorável que as concessionários terão de acessar o subsolo e terão de quebrar [as calçadas]. A prefeitura disse que tem estoque do material e fará reconstituição do piso. Não fica igual, não dá a mesma tonalidade. Produto mais antigo fica diferente do mais novo. Se daqui a dois anos quebrar vai ficar parecendo que é remendo", disse Baeta Neves.

O presidente da associação diz que as reclamações sobre as calçadas praticamente terminaram. No período de obras, que levou aproximadamente seis meses, o volume das reclamações, principalmente sobre o barulho à noite, era imenso, segundo Baeta Neves.

"Se ficaram satisfeitas? Está todo mundo satisfeito. A satisfação é relativa. A calçada comparada com o que era, para atendimento da lei de acessibilidade, está perfeita. Portanto, para transformar a calçada em ponto de referência, para servir [de exemplo] para outras cidades, está muito a desejar", diz o presidente da Paulista Viva.

Além da calçada, a prefeitura também retirou as lixeiras dos postes e instalou estruturas de concreto para o lixo. Novas, as lixeiras já são alvos de vandalismo e algumas não são fechadas da maneira correta pelos funcionários da limpeza. As tampas abertas acabam atrapalhando o caminho dos pedestres.

Carolina Farias/Folha Online
Pedestre tenta desviar de tampa de lixeira na avenida Paulista
Pedestre tenta desviar de tampa de lixeira na avenida Paulista

Iluminação

As calçadas da Paulista também concentram outros problemas, como a iluminação noturna, ou a falta dela. Existem pontos de escuridão durante a noite nas calçadas da avenida. Um bom exemplo são as calçadas entre as ruas Pamplona e alameda Campinas.

A luz vinda dos postes altos privilegia o asfalto, em detrimento das calçadas. Segundo o presidente da Paulista Viva, existe um projeto da prefeitura para a troca dos postes centrais da avenida por postes que serão instalados na calçada, com duas hastes --uma voltada para a rua e outra para a área dos pedestres.

Sinalização

Carolina Farias/Folha Online
Galhos de árvores danificam totens que abriga semáforo em cruzamento da Paulista
Galhos de árvores danificam totens que abriga semáforo em cruzamento da Paulista

Também apresentam sinais de desgaste na Paulista uma de suas características mais marcantes: os totens que informam os nomes das ruas e sustentam alguns semáforos.

A Folha Online percorreu a avenida e flagrou a situação degradada dos totens, alguns faltando pedaços do revestimento, outros "tomados" por galhos de árvores, muitos com a base enferrujada e a maioria deles com pichações e adesivos.

A reportagem questionou a Prefeitura de São Paulo sobre o projeto de troca dos postes e se há algum plano para a restauração dos totens, sem obter resposta.

A administração da avenida Paulista é dividia entre as subprefeituras da Sé (centro), Pinheiros (zona oeste) e Vila Mariana (região sul), além das secretarias também responderem por problemas que correspondem às suas pastas.

 

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