Polícia prende 3 suspeitos de matar família em Americana (SP); dívida teria motivado crime
MAURÍCIO SIMIONATO
da Agência Folha, em Americana
A Polícia Civil de Americana (128 km de SP) prendeu na segunda-feira (26) dois homens e uma mulher suspeitos do assassinato de um casal de empresários e de suas duas filhas --de um ano e meio e oito anos--, mortos nos dias 14 e 15 de janeiro.
O casal Robson Douglas Tempesta, 39, e Ana Paula, 31, foi encontrado morto no escritório da empresa de eventos deles --a Big Foot, em Americana. Foram feitos 15 disparos contra o casal.
As duas filhas foram levadas do local e mortas por estrangulamento. Os corpos delas foram encontrados na manhã seguinte em uma vala localizada às margens da rodovia do Açúcar, no município de Elias Fausto, distante cerca de 45 km de Americana.
O motivo do crime, segundo a polícia, foi uma dívida de R$ 16 mil que Robson tinha com o piloto de carros da empresa dele, Celso Pereira de Assis, 34.
Assis e a mulher dele, Fabiane dos Santos Pinheiro, 29, foram presos em Hortolândia (SP). O outro suspeito, Bruno Magrini Palumbo, 24, que era o mecânico da empresa de Robson, foi preso em Americana.
Os três deixaram a Delegacia Seccional de Americana hoje à tarde sob gritos de "assassinos" e "covardes" por pelo menos 30 pessoas que aguardavam do lado de fora.
Revoltado, o irmão de Robson, Salmer Tempesta, tentou agredir os suspeitos na saída da delegacia. Questionado pela Folha se achava que foi feita justiça com a prisão do trio, ele respondeu que a justiça será feita "só se eles morrerem".
Segundo a polícia, Assis confessou ter matado o casal, mas negou ter assassinado as crianças. "Ele [Assis] não admite a morte das crianças, talvez até por medo de uma retaliação posterior no sistema prisional", disse o delegado da Deinter-9, José Rolim Neto.
O delegado disse, no entanto, que o outro suspeito ouviu de Assis, no dia seguinte ao crime, que ele havia matado as duas.
De acordo com o delegado, Assis pediu uma reunião com Robson para cobrar a dívida de R$ 16 mil, mas houve uma discussão e ele acabou dando 16 tiros --sendo que um dos disparos não saiu da arma.
Enquanto Assis se reunia com o casal dentro do escritório, Palumbo ficou na garagem com as duas crianças, segundo a polícia. Em seguida, as meninas foram colocadas no carro e levadas para Campinas, na casa de Assis e de sua mulher.
Fabiane negou envolvimento no crime e confirmou em depoimento que as crianças permaneceram algumas horas na casa e foram levadas embora de carro apenas por Assis.
"Bruno [Palumbo] disse que Celso confessou a ele que teria matado as crianças no fundo do quintal da casa, em Campinas. Ele usou um cordão de nylon usado como lacre para matá-las", disse o delegado.
Segundo a polícia, Assis disse a Palumbo que matou as crianças com medo de ter sido reconhecido por elas.
Os dois homens foram indiciados por quadruplo homicídio, com agravantes, e a mulher por duplo homicídio. Até esta terça-feira, os três ainda não tinham advogado.
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