Corpo apontado como de traficante da Mangueira não é reconhecido; enterro foi adiado
DIANA BRITO
Colaboração para a Folha Online, no Rio
A família de Leandro Monteiro Reis, conhecido como Pit bull, apontado como o chefe do tráfico de drogas da favela da Mangueira, na zona norte do Rio, não apresentou documentos para identificar o corpo indicado como dele pela Polícia Civil. O homem foi morto na tarde de quarta-feira (28) durante um confronto.
Ontem, em uma operação da Polícia Civil, traficantes entraram em confronto com os policiais. Duas pessoas ficaram feridas e três mortos. Moradores incendiaram três ônibus foram queimados na região.
De acordo com o IML (Instituto Médico Legal), a família de Pit bull não levou os documentos para a identificação do corpo. Pelo exame datiloscópico (das impressões digitais),feito pelo IFP (Instituto Félix Pacheco) o homem não foi identificado como o suspeito de chefiar o tráfico na Mangueira. No entanto, o diretor do IML, Jefferson Oliveira, afirmou que liberará o corpo nesta sexta-feira (30).
"Vou promover a liberação do corpo amanhã, às 8h, porque houve reconhecimento da família. Na certidão de óbito constará como homem sem identificação"
O enterro chegou a ser marcado para as 16h, no entanto, não ocorreu. Para não haver tumulto, o enterro foi marcado sem velório. De acordo com o cemitério São João Batista, não há nova data ou horário.
Segundo a administração do cemitério São João Batista, a família do traficante reservou uma gaveta para o enterro do Pit bull, mas a família está em dúvida se vai enterrar ele lá ou no cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap (zona oeste).
Um esquema de segurança foi montado no cemitério na tarde de hoje para o enterro do corpo apontado como o de Pit bull.
"Nós estamos com a expectativa de qualquer reação da comunidade. Vamos fazer o acompanhamento se houver manifestação ou de acordo com a necessidade. Estamos com uma ação de prevenção no local [Mangueira] e o efetivo está preparado para preservar a ordem pública", disse na tarde de hoje o comandante do 4º batalhão, Washington Freire.
O 2º batalhão de Botafogo informou que 30 homens foram deslocados para policiar o entorno do cemitério para garantir a segurança da área.
Além do homem identificado como Pit bull, outros dois, também apontados como traficantes, morreram durante troca de tiros com a polícia na favela da Mangueira.
O confronto começou com uma operação comandada pela Dcod (Delegacia de Combate às Drogas) para desmantelar um paiol subterrâneo e cumprir mandados de prisão. No depósito, a polícia afirma ter encontrado armas e drogas. Quatro pessoas foram presas --três em flagrante.
Segundo balanço, foram apreendidos dois fuzis, uma metralhadora antiaérea, duas pistolas, uma escopeta, cerca de 200 kg de maconha e porções de cocaína e de haxixe. A Policia Civil informou que também foi localizado um caderno com a contabilidade dos criminosos --em uma das folhas, a arrecadação somava R$ 974 mil.
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