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Cotidiano
29/01/2009 - 22h36

Justiça autoriza doação de madeira ilegal para desabrigados de Santa Catarina

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RODRIGO VARGAS
da Agência Folha, em Campo Grande

A Justiça de Mato Grosso autorizou a doação de cerca de mil metros cúbicos de madeira --o equivalente à carga de 33 caminhões-- aos desabrigados pelas chuvas em Santa Catarina. O material doado é resultado das apreensões de cargas oriundas de desmatamentos ilegais.

Apreendida ao longo de várias ações de fiscalização de crimes ambientais no Estado, a madeira será empregada na construção de 150 casas e na cobertura de outras 120 casas de alvenaria --além da confecção de portas, portais e janelas.

Fernando Donasci-27.nov.2008/Folha Imagem
Chuvas provocaram 135 mortes e deixaram milhares de desabrigados; madeira será empregada na construção de casas
Chuvas provocaram 135 mortes e deixaram milhares de desabrigados; madeira será empregada na construção de casas

A maior parte das moradias será construída no município de Ilhota (112 km de Florianópolis), um dos mais atingidos pelas chuvas que deixaram 135 mortos e milhares de desabrigados em novembro do ano passado no Estado. Os municípios de Gaspar e Luiz Alves, no Vale do Itajaí, também serão beneficiados.

Atualmente, o governo de Mato Grosso armazena mais de 8.000 metros cúbicos de madeira, que ficam sobre os cuidados do instituto local de metrologia (Inmeq). Parte desse montante é repassada, mediante solicitação, a entidades filantrópicas e órgãos públicos.

De acordo com a promotora Ana Peterline, que assinou o pedido de autorização feito à Justiça, a ajuda aos catarinenses será a maior doação do gênero já feita pelo Estado. "Além disso, é a primeira para fora de Mato Grosso."

Segundo ela, boa parte do material apreendido corresponde justamente às necessidades imediatas dos desabrigados. "Há muita madeira já beneficiada e com indicação para uso na construção civil, como caibros, forros e tábuas."

Nesta semana, representantes de Santa Catarina estiveram em Cuiabá para visitar o depósito onde a doação aguarda o transporte.

"É evidente que a necessidade é muito maior, de cerca de 6.000 casas, mas ficamos felizes com esse sentimento comunitário demonstrado por Mato Grosso", diz Paulo Roberto Mundt, presidente da representação catarinense do Inmetro e um dos coordenadores da iniciativa.

 

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