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04/02/2009 - 16h50

Polícias matam dez em operações em favelas no Rio; um dos mortos é adolescente

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DIANA BRITO
colaboração para a Folha Online, no Rio

As operações policiais em um conjunto de favelas na zona oeste do Rio, nesta quarta-feira, deixaram dez mortos --entre eles um garoto de 15 anos. Sete pessoas foram presas, além de drogas e armas serem apreendidas. Uma moradora foi ferida por uma bala perdida. Em um ano e meio, 32 pessoas foram mortas durante operações policiais na mesma região.

A primeira operação foi realizada pela manhã por diversas delegacias especializadas da Polícia Civil --com cerca de 300 policiais-- nas favelas da Coreia, Taquaral, Rebu e Vila Aliança, nos bairros de Senador Camará e Bangu. O objetivo era cumprir mandados de prisão contra suspeitos de tráfico nas favelas, entre eles um conhecido como Aranha, apontado como líder de traficantes da favela da Coreia.

De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde do Rio, dos dez mortos que chegaram ao hospital Albert Schweitzer, somente dois estavam com documentos --Diego Matos Brás, 15, e Rogério da Costa Vieira, 37. Os demais mortos têm entre 18 e 25 anos, segundo o órgão, e tem vários ferimentos à bala. Eles vieram das comunidades da Aliança, Senador Camará e Rebu.

A moradora atingida por uma bala perdida foi ferida no glúteo e permanece internada, segundo a secretaria. A polícia alega que os mortos eram traficantes que trocaram tiros com os policiais durante as operações.

Somente três dos sete presos --sendo cinco pela Polícia Civil e dois pela Polícia Militar-- foram identificados. Eles são João Almeida dos Santos, 29, Jefferson dos Santos, 20, e Levi Veríssimo Teixeira, 19, em flagrante. Jucélio Gonçalves das Neves, 43, foi preso com mandado. Os demais ainda não foram identificados.

Além das prisões, a operação apreendeu sete pistolas, um revólver, duas granadas, dois rádiocomunicadores e uma pequena quantidade de cocaína, segundo os policiais.

De acordo com o chefe da Polícia Civil do Rio, Gilberto Ribeiro, a intenção da operação era desarticular quadrilhas de traficantes que atuam na região.

"A substituição dos integrantes de uma quadrilha é rápida. Quando você faz uma incursão e enfraquece o grupo, logo os que sobraram buscam reforço em outras localidades ou na própria comunidade. Com essa operação de hoje houve um enfraquecimento considerável. A operação foi bem sucedida", afirmou Ribeiro.

Após a operação da Polícia Civil, o 14º batalhão da PM (Bangu) realizou uma incursão pela favela, quando foram mortos ao menos três suspeitos, que teriam entrado em confronto com os policiais. Foram apreendidos duas pistolas e uma granada. Dois suspeitos foram presos.

Prejuízos

Por causa da operação, três escolas municipais e quatro creches suspenderam as aulas. Para garantir a segurança das crianças, os pais não mandaram os filhos para as escolas.

 

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