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Cotidiano
12/02/2009 - 12h18

Ministro Celso Amorim cobra apuração rigorosa em caso de agressão a brasileira na Suíça

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colaboração para a Folha Online
da Agência Brasil

Atualizado em 18/02/2009 às 18h00.

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, convidou o embaixador da Suíça no Brasil, Wilhelm Meier, para conversar sobre o caso da bacharel em direito brasileira espancada por três homens brancos e carecas que pareciam skinheads em Dübendorf, na Suíça. O caso ocorreu na noite de segunda-feira (9).

Paula Oliveira, 26, estava grávida de gêmeos e já obteve a confirmação, pelo hospital, de que perdeu os bebês. A assessoria do Itamaraty informou que ela já recebeu alta do hospital e está na casa onde mora em Dübendorf, pequena cidade a cerca de cinco quilômetros de Zurique, onde também trabalha.

Reprodução/TV Globo
A bacharel em direito Paula Oliveira, 26, perdeu gravidez de gêmeos após ser atacada por neonazistas nos arredores de Zurique, Suíça
A bacharel em direito Paula Oliveira, 26, perdeu gravidez de gêmeos após ser atacada por neonazistas nos arredores de Zurique, Suíça

A expectativa é que o encontro entre o ministro e o embaixador suíço ocorra ainda hoje. De acordo com a assessoria do Itamaraty, Amorim pediu a cônsul-geral do Brasil na Suíça, Vitória Cleaver, que haja "empenho", "urgência" e "rigor" na apuração dos fatos pela polícia no país.

A polícia suíça deve divulgar na tarde de hoje um relatório sobre o caso.

"Chocada"

Em entrevista à Rádio França Internacional, a cônsul brasileira do Brasil em Zurique, Vitória Cleaver, disse que entrou em contato com a polícia na manhã de hoje e que os investigadores têm se mostrado "altamente cooperativos". "Nos disseram que estão investigando, utilizando, inclusive, testemunhas que chamam de indiretas, mas que não podiam me dar maiores detalhes."

A cônsul informou que pretende se encontrar com a brasileira ainda hoje. De acordo com ela, Paula aparentava estar "chocada" e "extremamente aterrorizada" durante o primeiro contato feito pela embaixada brasileira. Ontem, já com a presença de familiares na casa onde vive com o companheiro na Suíça, Vitória diz que Paula estava "tranquila".

"Combinamos que marcaríamos uma hora para vê-la e, com o pai, combinei que continuaria em contato estreito com a polícia porque evidentemente que eles estão interessados em elucidar o fato e nós também."

Agressão

A bacharel em direito foi espancada e teve boa parte do corpo retalhado por estilete na Suíça por três homens brancos e carecas que pareciam skinheads, na noite de segunda-feira (9).

De acordo com informações do Itamaraty, Paula é funcionária do grupo controlador dinamarquês A. P. Moller - Maersk. O ataque aconteceu quando ela estava na estação de trem de Dübendorf, cidade onde também trabalha.

A brasileira foi arrastada pelo grupo até uma área cercada por árvores e atacada pelos homens por cerca de 10 minutos.

Quando foi abordada, a bacharel em direito, que é branca, falava ao celular em português com a mãe, que mora no Brasil, o que faz aumentar a suspeita de que o grupo que a atacou é composto por simpatizantes nazistas. Um dos agressores tinha uma suástica na cabeça.

Algumas das marcas de estilete que atingem especialmente as pernas e a barriga da bacharel em direito formam a sigla SVP, do Partido do Povo Suíço, que defende políticas anti-imigrantes consideradas, muitas vezes, racistas pela oposição.

Com Folha de S.Paulo

 

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