Perícia nega gravidez, mas investiga caso de brasileira ferida; família refuta autoflagelo
colaboração para a Folha Online
da Associated Press
Atualizado em 18/02/2009 às 17h42.
O perito responsável pela investigação do caso da brasileira Paula Oliveira, 26, ferida após suposto ataque de skinheads na Suíça, afirmou nesta sexta-feira que os trabalhos irão continuar, apesar das evidências de automutilação. A família contesta a versão da perícia.
Polícia suíça diz que exames comprovaram inexistência de gravidez em brasileira ferida
Leia íntegra do comunicado feito pela polícia de Zurique sobre o caso da brasileira ferida
Família e amigos consideram absurda tese de automutilação de brasileira ferida na Suíça
"Com a experiência que eu tenho em medicina, eu não hesitaria em afirmar que se trata de um causo de automutilação. Mas vamos continuar investigado", afirmou Walter Baer, médico-chefe da Universidade de Zurique.
| Reprodução/TV Globo |
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| A bacharel em direito Paula Oliveira, 26, diz ter sofrido aborto após ser atacada por neonazistas nos arredores de Zurique, Suíça |
Segundo Baer, todos os ferimentos são em locais de fácil acesso para uma pessoa se cortar, como as mãos e as pernas, e são cortes superficiais. Para as autoridades, a brasileira não estaria grávida.
De acordo com informações do "Jornal Hoje", da Rede Globo, o advogado Paulo Oliveira, pai da brasileira, disse que a polícia só apresentou suposições e deixou lacunas que, segundo ele, serviriam para desviar o foco do assunto a partir da possibilidade de culpa de Paula.
Ferimentos
Paula afirma ter sido vítima de três homens carecas, parecidos com skinheads, que teriam a atacado em uma estação de trem nos arredores de Zurique na última segunda-feira (9). Devido aos chutes e agressões com estilete --onde os criminosos teriam desenhado símbolos nazistas no corpo-- a brasileira afirma ter sofrido um aborto no banheiro.
A versão sustentada pela família é a de que a brasileira estava grávida de três meses de duas meninas. Nesta quarta-feira, o economista suíço Marco Trepp, 39, noivo de Paula, lamentou o caso. "As nossas filhas, que eram parte disso, foram embora, mas é claro que continuo muito apaixonado", disse.
Procurado nesta sexta-feira pela Folha Online, o Hospital Universitário de Zurique confirmou, por telefone, que Paula permanece internada na unidade, mas se recusou a passar informações sobre ela.
O Itamaraty, por meio de sua assessoria de imprensa, informou que deverá se pronunciar apenas após o fato ser apurado.
Agressão
Os advogados da bacharel em direito e a família afirmam que Paula foi atacada por três skinheads, em uma estação de trem em Zurique, depois de conversar com a mãe, pelo celular, em português. Segundo a versão apresentada pela brasileira, os skinheads teriam escrito símbolos nazistas com estiletes no corpo.
Várias fotos da agressão foram divulgadas, com os supostos ferimentos causados pelos skinheads nas pernas e nos braços da bacharel em direito. O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, pediu para que o caso fosse investigado, mas afirmou que se tratava de um caso explícito de xenofobia.
O pai de Paula, Paulo Oliveira, afirmou que duas oficiais da polícia de Zurique visitaram a jovem ontem e pediram desculpas pelo atendimento prestado na noite da última segunda-feira. "A postura inicial da polícia suíça foi stalinista, de transformar a vítima em acusado. Os policiais que a conduziram ao hospital a pressionaram para que ela confessasse que inventou tudo. Mas agora viram que ela está legalmente no país, não veio se prostituir, é uma pessoa de bem, e por isso nos pediram desculpas", disse o pai, mostra reportagem publicada na edição desta sexta da Folha.
Automutilação
De acordo com alguns entidades suíças, algumas histórias semelhantes, envolvendo mulheres que se automutilaram, foram registradas.
No ano passado, uma alemã de 18 anos afirmou estar convencida de de que nazistas a tinham atacado e desenhado o símbolo da suástica na pele. Em 2004, uma mulher francesa confessou que mentiu sobre um suposto assalto em um trem, onde teria sido vítima de uma gangue.
"Nós temos que levar esse caso seriamente, pois pode se tratar de um caso de automutilação", disse o inspetor de polícia, Yvan Perrin, em entrevista ao jornal "Le Matin". "A versão da vítima ainda não foi confirmada como verdadeira", disse.
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