Publicidade

Cotidiano
13/02/2009 - 15h34

Família e amigos consideram absurda tese de automutilação de brasileira ferida na Suíça

Publicidade

da Folha Online

Atualizado em 18/02/2009 às 17h37.

A família e amigos da bacharel em direito brasileira Paula Oliveira, 26, ferida em suposto ataque creditado a skinheads na Suíça, disseram nesta sexta-feira considerar absurda a tese de automutilação sustentada pelo diretor do Instituto de Medicina Forense da Universidade de Zurique, Walter Bär.

Polícia suíça diz que exames comprovaram inexistência de gravidez em brasileira ferida
Leia íntegra do comunicado feito pela polícia de Zurique sobre o caso da brasileira ferida

"A situação tem de ser vista com cuidado. A família está apreensiva. Acho que é um absurdo o autoflagelo", afirmou um primo da bacharel em direito, o universitário Tales Oliveira. Ele é filho de Silvio, tio de Paula.

Reprodução/TV Globo
A bacharel em direito Paula Oliveira, 26, diz ter sido atacada por neonazistas nos arredores de Zurique, Suíça; polícia fala em automutilação
A bacharel em direito Paula Oliveira, 26, diz ter sido atacada por neonazistas nos arredores de Zurique, Suíça; polícia fala em automutilação

Segundo diz, a família não entrou em contato hoje com o advogado Paulo Oliveira, pai da jovem, que está na Suíça com a mãe de Paula. O pai da brasileira é separado da mãe da jovem e mantém união com uma outra mulher.

Tales afirma que familiares souberam das declarações do perito pela imprensa. Ele disse que a jovem nunca apresentou problemas psiquiátricos ou comportamentos diferentes do habitual. "Era normal", disse.

Paula estudou na Faculdade de Direito da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), onde esteve de forma ativa no movimento estudantil local. Ex-colegas de faculdade afirmam que a jovem era alegre, se sociabilizava bem na classe e sempre se empenhou nos estudos.

Um grupo de ex-colegas de classe se reuniu nesta sexta-feira. Eles pretendem emitir um manifesto repudiando o que ocorreu. Vários deles foram procurados pela reportagem, mas se negaram a comentar o assunto. Uma delas, Natália Soares, afirmou que ainda hoje mantém contato com Paula por e-mail.

Alexandre da Maia, do departamento de teoria geral da Faculdade de Direito e ex-docente de Paula, afirma que a jovem se destacava no grupo. "Paula sempre foi uma pessoa muito feliz, risonha, inteligente e aluna destacada", afirma.

Maia avaliou como absurda a declaração de que a garota tenha produzido os ferimentos em si. "Conhecendo do jeito que eu a conheço, posso dizer apenas que se trata de um absurdo", afirmou.

Ele afirma que durante as aulas que ministrou nunca percebeu comportamentos que pudessem revelar qualquer distúrbio de personalidade da garota. "Ela nunca apresentou nenhum tipo de problema psicológico ou distúrbios aparentes. Estão querendo criar isso", disse.

Protestos

Uma série de protestos foram deflagrados em Recife devido ao que ocorreu com a jovem. A primeira partiu da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de Pernambuco. Um ofício enviado pelo presidente da entidade no Estado, Jayme Asfora, ao presidente nacional da OAB, Cezar Britto, reivindica uma participação ativa da entidade.

Eles querem que um órgão correlato a OAB na Suíça se empenhe em descobrir o que ocorreu. A OAB nacional recebeu o ofício mas não informou qual medida será tomada.

Outro protesto partiu da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Pernambuco. Uma manifestação pública não está descartada.

O assunto também mobilizou comunidades de brasileiros que moram em países do exterior e que acessam a rede de relacionamentos Orkut. Alguns declaram ter sido vítimas de agressões e outros repudiam as posturas adotadas pelas autoridades suíças.

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca