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13/02/2009 - 20h45

Associação lança táxis adaptados para deficientes em SP; taxistas reclamam da falta de isenção

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LEONARDO FEDER
Colaboração para a Folha Online

Ainda neste mês, a cidade de São Paulo passa a contar com 16 táxis acessíveis, com tarifa de táxi comum, para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida --os veículos permitem a entrada com a cadeira de rodas. A novidade é da Adetax (Associação das Empresas de Táxi de Frota), com apoio da prefeitura.

A Secretaria Municipal de Transportes afirma que os primeiros táxis adaptados serão apresentados na próxima terça-feira (17). Segundo a pasta, além dos 16 veículos, outros 10 táxis pertencentes a autônomos e frotas também foram adaptados.

Jorge Morishita, 38, e Josué Alexandre Castilho Dias, 22, dois dos três motoristas que já começaram a circular pelas ruas com os carros adaptados, reclamam dos custos que tiveram para bancar da compra do carro e de adaptação.

Divulgação
São Paulo passa a contar com táxis adaptados para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida; todos são modelo Doblò
São Paulo passa a contar com táxis adaptados para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida; todos são modelo Doblò

Como os motoristas são filiados a Fuji Táxi, uma das 12 empresas da Adetax que pretendem lançar este tipo de veículo, não têm direito, segundo a legislação tributária federal e estadual, de receber isenção fiscal de IPI, tributo federal; e do ICMS e do IPVA, impostos estaduais, por serem pessoas jurídicas --os taxistas autônomos têm esses descontos.

Desestímulo

Morishita e Dias estão entre os 80 sorteados pela Prefeitura de São Paulo para obter um alvará que autoriza a circulação de seus veículos adaptados. Outros 40 ficaram na fila de espera.

Segundo a Secretaria Municipal de Transportes, foram 299 inscritos para participar do sorteio, ocorrido em 20 de agosto de 2008. Destes, 153 foram pessoas físicas e 146, jurídicas.

Mas ambos os taxistas gastaram cerca de R$ 54 mil para comprar o Fiat Doblò, carro que a prefeitura instituiu para o serviço e R$ 26 mil para adaptar o veículo nas duas empresas que fazem esse serviço, a Technobrás e a Cavenaghi.

Como os taxistas das empresas bancam todo o investimento por sua conta, poucos deles resolvem entrar nesse serviço para cadeirantes, afirma Morishita.

Queixas

Dias afirma que está com vencimentos atrasados do financiamento do banco que fez para comprar e adaptar seu carro, pois o serviço é pouco divulgado e, com poucos clientes, tem dificuldade para fechar suas contas. Ele, que se orgulha de ser, segundo ele, o primeiro taxista a pegar o alvará no DTP (Departamento de Transportes Públicos), têm dúvidas quanto ao futuro do seu investimento, mas reconhece a importância do serviço que presta.

Já Morishita reclama que se sente irritado quando taxistas de ponto ignoram que seu trabalho é exclusivo para pessoas com deficiência e questionam que ele está "roubando" clientes.

Adaptação

As empresas Technobrás e Cavenaghi afirmaram que o preço da adaptação dos veículos aumentou para cerca de R$ 33 mil.

As modificações no Fiat Doblò, especificadas nas normas publicadas pela Secretaria Municipal de Transportes em 29 de outubro, significam expandir o teto, montar o sistema de travamento, instalar o elevador e ajustar às portas e o piso segundo as especificações técnicas.

Cadastro

Cadeirantes podem acessar o site www.taxiacessivel.com.br e se cadastrar até o dia 28 de fevereiro para ganhar um Vale Táxi, com validade de 30 dias, que permite ir a qualquer local dentro da cidade de São Paulo.

A viagem poderá ser acompanhada por até duas pessoas.

 

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