Publicidade

Cotidiano
23/02/2009 - 07h07

Ipiranga, Águia de Ouro e Camisa são os destaques no Grupo de Acesso de SP

Publicidade

FELIPE MAIA
da Folha Online

As escolas de samba Imperador do Ipiranga, Águia de Ouro e Camisa Verde e Branco despontam como as favoritas para o título do Grupo de Acesso do Carnaval de São Paulo, após desfile realizado entre a noite deste domingo (22) e a madrugada desta segunda (23), no sambódromo do Anhembi. As duas primeiras colocadas ganham vaga no Grupo Especial em 2010.

Além de mostrarem uma melhor estrutura de desfile, com carros alegóricos maiores e mais adereços, essas escolas se beneficiam dos erros cometidos por concorrentes.

Leia a cobertura completa do Carnaval

A Combinados do Sapopemba, que subiu neste ano para o Grupo de Acesso, deu início ao desfile com um enredo sobre o uso histórico das máscaras, desde a pré-história até hoje.

Zanone Fraissat/Folha Imagem
Desfile da Acadêmicos do Tatuapé, que teve problemas de evolução no desfile; bateria teve de "enrolar" para cumprir tempo mínimo
Desfile da Acadêmicos do Tatuapé, que teve problemas de evolução no desfile; bateria teve de "enrolar" para cumprir tempo

Entretanto, a agremiação teve problemas com dois carros alegóricos: o segundo a entrar na avenida perdeu a direção e ficou torto na pista e o terceiro carro perdeu enfeites durante a apresentação.

A Morro da Casa Verde, segunda a se apresentar, também teve problemas em um de seus carros. O eixo de direção da segunda alegoria quebrou, dificultando as manobras. Foi preciso chamar mais puxadores para impedir que o veículo batesse na grade.

Em razão do incidente, chegou a se formar um buraco entre as alas da escola --o enredo da agremiação falou sobre as festas e as crenças do Nordeste brasileiro.

Outra escola que apresentou problemas foi a Acadêmicos do Tatuapé, que mostrou na avenida as opções de cultura, entretenimento, lazer e diversão do bairro paulistano que dá nome à escola.

A escola "correu" demais durante o desfile e teve de "enrolar" no final, para que o tempo de apresentação ficasse acima dos 50 minutos, o mínimo exigido pelo regulamento. A bateria, que tinha a ex-BBB Jaqueline Khury como rainha, parou no fim da avenida e ficou esperando até que esse limite fosse atingido.

"A escola deu uma corrida no final, sem necessidade porque estávamos tranquilos. As pessoas veem uma ala saindo e pensam que é para correr", afirma Elias Batista, diretor de harmonia do grupo.

Favoritas

Terceira escola a se apresentar, a Imperador do Ipiranga levou para a avenida o enredo "A Comunidade na Fé de São Jorge Guerreiro contra os Dragões da Maldade" --o abre alas da escola tinha uma enorme reprodução do santo. A ideia é pedir que as pessoas pobres tenham mais condições em áreas básicas como saúde e educação --a comissão de frente fazia um jogo de letras usando faixas para formar palavras como essas.

A Imperador fez uma apresentação correta e sem grandes erros. Mas no fim do desfile o carro abre-alas teve um princípio de incêndio em um holofote, mas o fogo foi controlado rapidamente por membros da própria escola, usando extintor.

A Camisa Verde e Branco também adotou um tom político no desfile, ao pedir "a paz universal", em oposição às guerras. Um dos carros alegóricos foi decorado com tons militares e uma réplica de um tanque --a alegoria ainda trazia fotos de George W.Bush, Bin Laden e Adolf Hitler. Em outro, havia caveiras e pessoas vestidas em trajes parecidos com os do clipe da música "Thriller", de Michael Jackson.

A Águia de Ouro apostou na dança para a disputa por um lugar entre as escolas do primeiro time de São Paulo. Em 26 alas, a escola mostrou a diversidade das danças existentes no Brasil. O carro abre-alas, por exemplo, mostrava os índios e os bailes do tempo do império. Depois, ainda foram representados o afoxé e o maracatu, entre outros.

"Queríamos mostrar que todas as danças que o mundo tem existem também no Brasil, além do samba, que é algo nosso mesmo", diz Everton Coelho, diretor de Carnaval da escola.

Terra do Pecado

A Barroca Zona Sul apostou em um tema polêmico para este Carnaval. A escola apresentou São Paulo como "paraíso do pecado, um verdadeiro jardim das delícias", segundo o próprio nome do enredo. O carro abre-alas fazia uma alusão ao pecado na história bíblica de Adão e Eva --outras alegorias faziam menção à noite agitada e à miscigenação de etnias que deu origem à população da cidade.

"Queríamos mostrar São Paulo diferente, os vários lados da cidade, um contraponto ao que já foi apresentado no Carnaval. A ideia foi mostrar o cotidiano de quem vive aqui", afirma Ricardo de Paula, diretor geral da Barroca.

Já a Dragões da Real fez um paralelo entre a vida na Idade Média --o abre-alas tinha a forma de um castelo medieval-- e nos dias atuais, dominados por tecnologia. Em um dos carros, um boneco com trajes de cavaleiro medieval carregava um laptop.

O tom é de crítica à vida moderna. "O grande ator foi trocado por um dublê/E o amor pelo prazer", diz a letra do samba-enredo. "A gente entende que a vida na Idade Média era muito melhor que agora. Naquela época a molecada namorava, agora eles só ficam no Orkut e no MSN", diz Renato Rodrigues, vice-presidente da escola.

O desfile, que terminou por volta das 5h desta segunda-feira, teve um público pagante de 18.350 pessoas e ocorreu sem incidentes graves, segundo a Polícia Militar. A apuração das notas será realizada nesta terça-feira (24).

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca