Publicidade

Cotidiano
26/02/2009 - 22h56

Movimento de desabrigados pelas chuvas invade área em Blumenau (SC)

Publicidade

FELIPE BÄCHTOLD
da Agência Folha

Um grupo de 37 famílias vítimas das enchentes em Santa Catarina invadiu um terreno no município de Blumenau (139 km de Florianópolis) para cobrar do poder público mais rapidez na construção de moradias aos atingidos pelas chuvas de novembro.

O grupo, que se intitula "Movimento dos Atingidos pelo Desastre", mantém invadidas desde o último sábado terras da prefeitura cedidas a uma associação de moradores no bairro Ribeirão Fresco.

Rodrigo Dable-23.nov.2008/Leitor
Chuvas que mataram 135 em Santa Catarina deixaram Blumenau submersa (foto); 12 mil continuam fora de casa no Estado
Chuvas que mataram 135 em Santa Catarina deixaram Blumenau submersa (foto); 12 mil continuam fora de casa no Estado

Barracos já começaram a ser construídos na área e três casas abandonadas dentro do terreno também foram invadidas. As moradias já foram desocupadas. A Polícia Militar foi chamada ao local e a reintegração de posse já foi encaminhada. O movimento de desabrigados já havia acampado em frente à Prefeitura de Blumenau na semana passada.

"Desde novembro, o poder público só conversa e não faz nada", diz um dos líderes do movimento, o representante comercial Moacir Francisco de Souza, 50. Ele perdeu a casa na enchente, três meses atrás, e hoje mora com amigos.

Souza diz que as famílias desabrigadas de Blumenau estão "empilhadas em galpões", que foram improvisados como abrigos, e são "maltratadas" psicologicamente. Ele atuava na associação de moradores e se licenciou de suas funções na entidade para atuar no movimento de desabrigados.

Mesmo tendo a área invadida, um dos diretores da associação do bairro, Heriberto Bailer, diz que há, de fato, demora na ajuda a moradores que perderam suas casas em razão das chuvas.

Blumenau foi uma das cidades mais atingidas pelas chuvas e deslizamentos em novembro do ano passado. Só na cidade, 24 pessoas morreram. Em todo o Estado, foram 135 mortes --duas pessoas ainda permanecem desaparecidas.

O governo de Santa Catarina diz que houve um atraso no plano de construção de novas moradias na região porque havia barreiras legais para o uso de dinheiro público nesse tipo de ação. A administração estadual, porém, afirma que isso já foi resolvido e que irá repassar R$ 15 milhões a prefeituras para a compra de terrenos destinados a moradores que perderam suas casas.

Ainda há cerca de 12 mil pessoas desalojadas ou desabrigadas em todo o Estado.

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca