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Cotidiano
27/02/2009 - 22h51

Homem acusado de violentar enteadas diz que meninas o provocavam, afirma polícia

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FÁBIO GUIBU
da Agência Folha, em Recife
RENATA BAPTISTA
da Agência Folha

A Polícia Militar prendeu na noite de ontem, em Alagoinha (230 km de Recife), um homem suspeito de violentar e engravidar a enteada de nove anos de idade. A menina está no quarto mês de gestação e espera gêmeos.

O rapaz, que tem 23 anos e está desempregado, confessou o crime e, em depoimento à polícia, admitiu também ter estuprado sua outra enteada, de 14 anos de idade, portadora de deficiências física e mental. A Polícia Civil não revelou o nome do suspeito para que a identidade da criança seja preservada.

Ouvido pela polícia, o padrasto confirmou que começou a assediar as duas meninas desde que passou a morar com a família, há três anos. Segundo ele, as enteadas o provocavam.

A notícia revoltou os moradores da cidade, de 14 mil habitantes. Cerca de 300 pessoas tentaram retirar o suspeito do carro da polícia e linchá-lo. Os policiais impediram a agressão, mas foram obrigados a transferir o rapaz para o município vizinho de Pesqueira.

A gravidez da menina, que tem 1,37 metro de altura e pesa 33 quilos, foi descoberta na quarta, após ela se queixar de dores na barriga e náuseas.

Levada pela mãe, uma dona-de-casa de 42 anos, a uma unidade de saúde em Pesqueira, a garota foi submetida a uma ultrassonografia. O exame comprovou a gravidez de gêmeos. O médico, então, comunicou o fato ao Conselho Tutelar, que avisou a polícia.

Questionada sobre os abusos, a menina contou à polícia que era forçada pelo padrasto a manter relações sexuais desde os seis anos de idade e que, de vez em quando, recebia R$ 1.

Ela disse também que o rapaz --que é primo do seu pai-- ameaçava matar sua mãe caso fosse denunciado. A menina afirmou ainda ter menstruado pela primeira vez aos oito anos.

As duas irmãs foram submetidas nesta sexta-feira a exames no IML (Instituto de Medicina Legal) de Recife. À tarde, a caçula foi internada na unidade de alto risco do Imip (Instituto Materno Infantil de Pernambuco).

Riscos

Segundo o delegado de Alagoinha, Antônio Luiz Dutra, responsável pelo caso, o médico que atendeu a garota disse que a menina não possui nem sequer estrutura física para levar a gravidez adiante, mas que caberá à família decidir se solicitará à Justiça o direito de interromper a gestação.

A lei permite o aborto em caso de estupro ou risco de morte da mãe. De acordo com a ginecologista e obstetra do Hospital das Clínicas de São Paulo Ângela Fonseca, uma gravidez ocorrida em uma criança é de alto risco para o bebê e para a mãe.

"O risco é ainda maior por se tratar de uma gravidez de gêmeos", afirmou a médica. Para ela, será necessário um bom acompanhamento médico e psicológico se a gravidez for mantida.

Dúvidas

A mãe afirmou ao delegado que não desconfiava dos abusos e que chegou a passar mal ao saber da gravidez da filha. O conselheiro tutelar de Alagoinha Cláudio Roberto Lima Melo declarou que, por enquanto, as crianças permanecerão com a mãe, mas que tem "algumas dúvidas a esclarecer".

"Queremos saber, por exemplo, por que a mãe levou a filha para fazer exame médico em outra cidade, como se estivesse tentando esconder algo."

O secretário de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos de Pernambuco, Roldão Joaquim, classificou o caso como "selvageria" e anunciou que uma equipe da pasta irá à cidade para acompanhar o inquérito. "Foi uma selvageria o que aconteceu. Vamos fazer um esforço para manter essa pessoa presa e fazer justiça", afirmou. "Queremos que o caso sirva de exemplo."

 

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