Metrô vai desapropriar 114 imóveis na região do Itaim em São Paulo
ALENCAR IZIDORO
da Folha de S.Paulo
Atualizado às 10h27.
O governo do Estado decidiu desapropriar 114 imóveis de bairros nobres das zonas sul e oeste de São Paulo, equivalentes a quase dez campos oficiais de futebol, para a extensão da linha 5-lilás do metrô paulista.
Eles estão localizados no Campo Belo, Itaim Bibi e Santo Amaro. Totalizam 68,8 mil metros quadrados que serão esvaziados para construção de novo trecho do metrô entre a estação Largo Treze e Chácara Klabin.
O decreto do governador em exercício, Alberto Goldman (PSDB), que listou a nova região de "interesse público" a ser desapropriada "por via amigável ou judicial" foi publicado no sábado no "Diário Oficial".
O processo de desapropriação começará neste mês e os prazos para a saída de comerciantes e moradores vão depender dos acertos na Justiça.
O Metrô afirma que a "maioria" dos imóveis atingidos é comercial, mas não forneceu detalhes nem custos. Limitou-se a informar que serão 114.
A Folha esteve nas vias mencionadas pelo decreto --que delimita a área, mas não cita cada um dos imóveis atingidos-- e verificou que, nas imediações, há tanto alguns trechos estritamente residenciais, com casas e prédios de classes média e alta, como outros com características comerciais, incluindo lojas e supermercado.
Embora muitos já tivessem ouvido rumores, a notícia da desapropriação surpreendeu comerciantes e moradores.
Ontem, um advogado circulava por algumas vias com a publicação do "Diário Oficial" em mãos para oferecer seus serviços a alguns proprietários.
Num prédio residencial da rua Bartolomeu Feio, moradores temem que uma parte da área de lazer (onde há um campo de futebol) seja atingida.
A linha 5 do metrô, inaugurada em 2002, tem hoje 8,4 km e vai do Capão Redondo ao Largo Treze. A promessa do governo José Serra (PSDB) era fazer mais duas estações até 2010 --Adolfo Pinheiro e Campo Belo-- e outras nove até 2012.
As primeiras desapropriações por conta das obras foram definidas em abril, numa área inicial de 32 mil metros quadrados e 147 imóveis, principalmente para a construção da futura estação Adolfo Pinheiro.
A medida provocou protestos de comerciantes que seriam desalojados da galeria Borba Gato e que conseguiram reverter parte dos planos.
Antonio Cunha, presidente do Movibelo (movimento de moradores do Campo Belo), disse ontem estar "perplexo" pelo fato de ruas residenciais estarem na mira do metrô.
"O bairro vai ser destruído", disse, em referência à montagem de canteiro de obras, estação de energia elétrica e poço de ventilação da linha 5 onde, segundo ele, só existem casas.
colaborou Diego Padgurschi, do Agora
| Arte/Folha | ||
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