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Cotidiano
05/03/2009 - 20h00

Ícone da arquitetura moderna, prédio é objeto de disputa entre moradores e prefeitura em SP

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RAFA SANTOS
Colaboração para Folha Online

O mal conservado Edifício Esther --ícone da arquitetura moderna brasileira localizado na praça da República (centro de São Paulo)-- é objeto de uma disputa entre seus moradores e o poder público.

Em dezembro de 2007, o prédio foi declarado de utilidade pública por meio do decreto 49.064. O fato deu início a uma disputa que envolve alguns ocupantes do local --que abriga escritórios e residências-- e a prefeitura, que quer desapropriar o local.

O combalido edifício projetado pelos arquitetos Vital Brazil (1909 - 1997) e Adhemar Marinho (1909) já foi sinônimo de luxo e sofisticação nos anos 1930. E, apesar do péssimo estado de conservação atual, ainda atrai os olhares de pessoas que se encantam pela imponência de seus traços, como o geólogo aposentado Ari Camargo de Oliveira, que há nove anos comprou um apartamento no local. "Eu e minha mulher resolvemos adquirir um imóvel aqui por conhecermos a história do prédio", diz.

André Vicente - 09.jan.2009/Folha Imagem
Fachada do edifício Esther, localizado no centro da cidade de São Paulo, alvo de uma disputa entre os moradores e o poder público
Fachada do edifício Esther, localizado no centro da cidade de São Paulo, alvo de uma disputa entre os moradores e o poder público

Camargo --que já foi síndico do edifício-- conta que, na época que adquiriu o imóvel, o estado de degradação do prédio era muito pior que nos dias de hoje. "Na época havia tráfico de drogas, garotas de programa estabelecidas e alguns apartamentos eram usados como depósito de mercadorias de camelôs", conta.

Segundo Camargo, os problemas pouco a pouco foram sendo erradicados e a situação do Esther é outra. "O estado de conservação, por exemplo, melhorou muito. Nos últimos anos nós consertamos os elevadores, o que para um condomínio como aquele é muito caro", diz.

Preservação e custos altos

Antes da prefeitura se interessar pela preservação do edifício, os moradores do local já haviam se organizado para restauração do Esther --que é tombado pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo) e pelo Conpresp (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo).

Foi aprovado pelos dois conselhos um projeto de restauração da fachada orçado em R$ 2,5 milhões, valor inviável para o condomínio. "Quando recebi a notificação da prefeitura, senti um misto de surpresa e tristeza. Gosto muito do edifício, mas como cidadão, torço para vê-lo preservado de um jeito ou de outro o mais rápido possível", afirma

Goteiras e insegurança

Um dos moradores mais engajados pela preservação do edifício Esther é o chef, padeiro e apresentador de TV Olivier Anquier. Apesar de ser relativamente novo no local, ele se diz um apaixonado pelo edifício. "Estava procurando um apartamento no centro e, do alto de um dos prédios, eu reparei nas coberturas do Esther e adorei. Era o que eu procurava, acho que a história da cidade está no centro e não nos bairros nobres da zona sul", diz.

Apesar dos argumentos contrários à ideia, ele convenceu o corretor de imóveis a procurar informações sobre o apartamento. Atualmente --após restaurar completamente a cobertura--, ele convive com a insegurança em relação ao futuro do prédio e com goteiras. "Não posso investir na impermeabilização do apartamento, pois não sei se o edifício será desapropriado ou não."

Anquier afirma que concorda apenas com a desapropriação da parte comercial do edifício e que não pretende se mudar. "Se meu apartamento for desapropriado, a minha intenção é brigar muito", resume.

O edifício tem 11 andares e 101 apartamentos. A prefeitura se limitou a informar que o Esther foi declarado de utilidade pública e que passa por avaliação administrativa para início do processo de desapropriação do prédio inteiro.

 

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