Quadrilha suspeita de jogar casal de penhasco no Rio fez delegado refém em assalto
DIANA BRITO
Colaboração para a Folha Online, no Rio
Os quatro homens detidos na noite de quarta-feira (4) por suspeita de ter assaltado e jogado um casal de namorados da encosta da avenida Niemeyer, em São Conrado (zona sul do Rio), teriam cometido outros quatro roubos este ano --três deles no mesmo dia. Um dos assaltos, no dia 10 de janeiro, foi ao prédio de um delegado, que foi feito refém pelo grupo.
Segundo a delegada titular da 14ª DP (Leblon), Tércia Amoedo, apenas um dos suspeitos, o português Antonio Manuel Carvalho Ribeiro, 32, não teria participado de dois dos cinco assaltos por não ter sido reconhecido pelas vítimas.
Segundo a polícia, os criminosos realizaram três sequestros relâmpagos entre a noite de terça (3) e ontem. A ação dos assaltantes teria começado por volta das 23h ao abordarem um homem que estava em uma Pajero na rua Arthur Bernardes, no Catete, zona sul da cidade.
Depois de pegar joias, celulares e dinheiro, eles circularam com a vítima durante cerca de 15 minutos e seguiram até a Barra da Tijuca (zona oeste). Em seguida, o grupo abordou um casal, que estava em um Nissan, e abandonou a Pajero e seu proprietário.
Após roubar a dupla, foram até a avenida Epitácio Pessoa, na Lagoa. Lá, abordaram Marcelo José Viana, 43, e Paula Barreto da Silva, 31, que haviam saído de um restaurante. Rendidos, eles foram obrigados a seguir no carro, um Audi A3, com os criminosos.
Mesmo sem reagir, Viana levou várias coronhadas na cabeça. Paula ficou com uma arma apontada para o pescoço. Antes de fugir com o carro e outros objetos, os criminosos obrigaram o casal a subir na mureta da avenida Niemeyer e, depois, empurraram as vítimas.
O casal foi resgatado por policiais militares que passavam pelo local e ouviram os gritos. A queda foi amortecida pela vegetação, e as vítimas foram socorridas com ferimentos leves.
Latrocínio
Além de Ribeiro, tiveram a prisão temporária decretada Alexandre de Oliveira, 18, Wilson Alves da Silva, 18, e Thiago Faustino Apolinário dos Santos, 20. Os quatro serão indiciados por tentativa de latrocínio (roubo seguido de morte). Eles serão transferidos para a Polinter nesta quinta ou na sexta-feira (6).
Conforme a delegada Goulart, Ribeiro e Oliveira confessaram o crime. Ambos disseram que Silva e Santos empurraram o casal. "Tudo indica que eles tenham ingerido entorpecentes para cometer algo tão cruel."
Tidos como os mais violentos do grupo, os dois também teriam cometido um roubo no dia 1º de março, no Flamengo. As vítimas do crime os reconheceram.
Outros assaltos
A polícia informou que a primeira ação dos assaltantes aconteceu na madrugada do dia 10 de janeiro, na rua professor Álvaro Rodrigues, em Botafogo, zona sul do Rio. Wilson, Thiago e Alexandre invadiram um condomínio pelo estacionamento por volta das 23h30 no momento que um carro saia do prédio.
"Eles pareciam ratos entrando pela porta da garagem. Foram muito rápidos. As câmeras flagraram tudo. Já repassamos as imagens para a 10ª DP (Botafogo)", comentou a gerente administrativa do condomínio, Renata Mendes.
Ao entrarem no prédio, os assaltantes renderam dois porteiros e três pessoas que saíam do elevador, entre elas o delegado-adjunto da Divisão Anti-Seqüestro, Leonardo Salgado. A participação do policial ajudou na negociação com os criminosos, que queriam subir para os apartamentos, mas acabaram sendo convencidos de ir embora.
Segundo a administração do condomínio, o delegado Salgado havia deixado a arma e o distintivo em seu carro e por isso, convenceu os assaltantes a seguirem para o carro de sua namorada.
Depois, o delegado foi obrigado a dirigr o veículo com os três até a Rocinha, onde foi liberado com o carro. Vários pertences das vítimas foram roubados.
Em outro assalto no dia 1º de março no Flamengo (zona sul), os criminosos renderam um casal e invadiram o apartamento de um deles levando vários objetos pessoais. As vítimas já fizeram o reconhecimento deles.
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Este país está perdido, mesmo...
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É preciso acabar com penas inócuas e ridículas, que apenas servem para zombar das vítimas e da sociedade. Tais facínoras merecem pena de morte ou prisão perpétua pelo menos.
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