Paciente com dois corações tem 50% de chances de sobreviver, diz médico
FERNANDA PEREIRA NEVES
Colaboração para a Folha Online
O paciente de 53 anos que passou por uma cirurgia que o deixou com dois corações permanece internado na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Incor de São Paulo. Seu estado de saúde é considerado gravíssimo, pelos médicos, e ele tem 50% de chances de sobrevivência.
| Zanone Fraissat/Folha Imagem |
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| Alfredo Fiorelli fez cirurgia que deixou paciente com dois corações |
A cirurgia foi realizada na quarta-feira (4) e teve a duração de 12 horas. Segundo o médico Alfredo Fiorelli, cirurgião cardíaco e diretor do Programa de Transplantes de Coração Adulto do Incor, o paciente estava em estado crítico antes da cirurgia e teria apenas mais alguns dias de vida se não passasse pela intervenção. Ele estava internado no Incor desde o dia 13 de janeiro e contava com a ajuda de aparelhos para manter-se vivo.
O médico ainda ressaltou que um transplante cardíaco comum não poderia ser feito no paciente, porque a miocardiopatia --de origem desconhecida--, que causou dilatação e perda das funções do coração, provocou também um acúmulo de sangue nos pulmões ou hipertensão pulmonar. "Um coração sadio não suportaria o esforço que teria com a hipertensão pulmonar", ressaltou Fiorelli.
Por conta disso, os médicos optaram por deixar o paciente com dois corações. O coração com problema permanece do lado esquerdo do tórax do paciente, ligado ao coração transplantado, localizado do lado direito. Ambos recebem sangue e bombeiam sangue para o resto do corpo.
Segundo Fiorelli, os dois corações trabalham simultaneamente e com o passar do tempo o coração sadio --ou auxiliar-- deve se adaptar as condições do paciente e assumir as funções do coração doente, que pode perder suas funções gradativamente.
O procedimento que foi considerado como de alto risco e pouco utilizado, pelos médicos, dará 50% de chances de sobrevida ao paciente que segundo os médicos teria apenas mais alguns dias de vida se não fosse feita a cirurgia.
Recuperação
O médico Fiorelli, que participou da cirurgia, afirmou que o paciente permanece em estado gravíssimo e com o auxílio de aparelhos cardíaco e respiratório.
A primeira semana do pós-cirúrgico será decisiva para que os médicos saibam como será a recuperação. Os médicos têm a expectativa de que com o tempo, o coração doado assuma todas as funções que são no momento compartilhadas com o coração doente e com aparelhos.
Mesmo com a perda das funções do coração doente, o médico afirmou que não deve ser feita uma nova cirurgia para a retirada do órgão.
Fiorelli afirmou que o tempo de vida do paciente depende da hipertensão pulmonar que deve regredir parcialmente, mas ele destaca que "a hipertensão não vai desaparecer, alguns danos são irreversíveis".
Perguntado sobre a sobrevida que o paciente pode ter, o médico afirmou que existe registro de pessoas que viveram por cerca de dez anos após passarem por esse tipo de procedimento.
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