Menina violentada deixa hospital após interromper gravidez em PE
da Folha Online
A menina de 9 anos que foi violentada em Alagoinha (PE) e interrompeu a gestação de gêmeos na última quarta-feira (4) deixou nesta sexta-feira o hospital que realizou o procedimento, em Recife. Ela teve alta por volta das 21h de ontem e saiu hoje, por volta das 6h, acompanhada por integrantes do Ministério Público.
Segundo Fátima Maia, diretora do Cisam (Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros), ligado à Universidade de Pernambuco, a menina seria levada para um abrigo --o local não foi informado.
O padrasto da menina, que foi preso, confessou que abusava sexualmente dela e da irmã mais velha, de 14 anos, que possui problemas mentais, há cerca de três anos, quando passou a viver com elas, afirma a polícia.
Segundo os médicos, a menina corria risco de morrer, caso não interrompesse a gravidez. A Igreja Católica excomungou a mãe da garota e os médicos responsáveis pelo aborto, segundo o arcebispo de Olinda e Recife, dom José Cardoso Sobrinho. A criança, por ser menor de idade, não foi excomungada.
A posição da Igreja Católica foi criticada pelo ministro da Saúde, José Gomes Temporão. "Eu acho que a posição da Igreja é extrema, radical, inadequada, me parece um contrassenso diante do que aconteceu", disse o ministro ao participar de entrevista a emissoras de rádio durante o programa "Bom Dia, Ministro" nesta quinta (5).
O médico Rivaldo Mendes de Albuquerque, 51, professor de ciências médicas da Universidade Estadual de Pernambuco, foi um dos profissionais que interromperam a gestação. Católico, ele também criticou a excomunhão. "Tenho pena do nosso arcebispo, que não conseguiu ser misericordioso com o sofrimento de uma criança inocente, desnutrida, franzina, em risco de vida, que sofre violência desde os seus seis anos".
O arcebispo de Olinda e Recife disse que "a lei de Deus está acima de todas as coisas". De acordo com o religioso, o aborto é um crime previsto nas leis de Deus e quem o induziu está automaticamente excluído da comunhão com a Igreja -o que significa que não pode mais receber a eucaristia ou outros sacramentos, entre eles o casamento; mas não está banido de participar de celebrações da Igreja, como missas.
Com Agência Folha
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