Lula critica excomunhão e defende medicina em caso de aborto de menina em PE
da Folha Online
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta sexta-feira a decisão do arcebispo de Olinda e Recife, dom José Cardoso Sobrinho, de excomungar a mãe e os médicos que realizaram a interrupção da gravidez de uma menina de 9 anos violentada em Alagoinha (PE). O padrasto foi preso sob suspeita de ter estuprado a menina.
Após cerimônia de lançamento do programa Território de Paz, em Vitória (ES), Lula defendeu os médicos. "Não é possível permitir que uma menina estuprada pelo padrasto tenha esse filho. Até porque a menina corria risco de morte. Nesse aspecto, a medicina está mais correta que a igreja", disse o presidente.
Lula também falou sobre o caso durante a cerimônia. Para ele, o caso reflete um "processo de degradação da estrutura da sociedade".
"Vocês viram, essa semana, em Recife: um padrasto violentou sexualmente uma menina de nove anos de idade. Nós sabemos que isso acontece, e sabemos que isso é um processo de degradação da estrutura da sociedade. Se pai e mãe não estiverem bem, pode estar certo de que os filhos não estarão bem. Por isso, pai e mãe têm sempre que dar o exemplo de comportamento", afirmou. "Se pai e mãe, então, estão desajustados, a tendência natural é passar o desajuste para a família, e aí a gente entra nesse processo de deformação da sociedade brasileira", concluiu.
Alta médica
A menina, grávida de gêmeos, interrompeu a gestação na última quarta-feira (4). Ela recebeu alta médica na noite de ontem e deixou o hospital, em Recife, por volta das 6h desta sexta.
O padrasto, que foi preso, confessou que abusava sexualmente dela e da irmã mais velha, de 14 anos, que possui problemas mentais, há cerca de três anos, quando passou a viver com elas, afirma a polícia.
A Igreja Católica excomungou a mãe da garota e os médicos responsáveis pelo aborto --o que significa que não pode mais receber a eucaristia ou outros sacramentos, entre eles o casamento; mas não está banido de participar de celebrações da Igreja, como missas.
Leia mais sobre o caso
- Menina violentada deixa hospital após interromper gravidez em PE
- Arcebispo não teve pena da criança que interrompeu gravidez, afirma médico de Recife (PE)
- Igreja Católica protesta contra aborto de menina violentada em Alagoinha (PE)
Leia outras notícias da editoria de Cotidiano
- São Paulo registra 23ºC durante a madrugada desta sexta-feira, diz instituto
- Com lentidão, serviço de emissão de carteira de motorista é retomado em SP
- Tiroteio entre policiais e traficantes interrompe circulação de trens no Rio
Especial
- Veja o que existe em nossos arquivos sobre casos de estupro
- Navegue no melhor roteiro de cultura e diversão da internet
Livraria

