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Cotidiano
06/03/2009 - 12h51

Lula critica excomunhão e defende medicina em caso de aborto de menina em PE

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da Folha Online

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta sexta-feira a decisão do arcebispo de Olinda e Recife, dom José Cardoso Sobrinho, de excomungar a mãe e os médicos que realizaram a interrupção da gravidez de uma menina de 9 anos violentada em Alagoinha (PE). O padrasto foi preso sob suspeita de ter estuprado a menina.

Após cerimônia de lançamento do programa Território de Paz, em Vitória (ES), Lula defendeu os médicos. "Não é possível permitir que uma menina estuprada pelo padrasto tenha esse filho. Até porque a menina corria risco de morte. Nesse aspecto, a medicina está mais correta que a igreja", disse o presidente.

Lula também falou sobre o caso durante a cerimônia. Para ele, o caso reflete um "processo de degradação da estrutura da sociedade".

"Vocês viram, essa semana, em Recife: um padrasto violentou sexualmente uma menina de nove anos de idade. Nós sabemos que isso acontece, e sabemos que isso é um processo de degradação da estrutura da sociedade. Se pai e mãe não estiverem bem, pode estar certo de que os filhos não estarão bem. Por isso, pai e mãe têm sempre que dar o exemplo de comportamento", afirmou. "Se pai e mãe, então, estão desajustados, a tendência natural é passar o desajuste para a família, e aí a gente entra nesse processo de deformação da sociedade brasileira", concluiu.

Alta médica

A menina, grávida de gêmeos, interrompeu a gestação na última quarta-feira (4). Ela recebeu alta médica na noite de ontem e deixou o hospital, em Recife, por volta das 6h desta sexta.

O padrasto, que foi preso, confessou que abusava sexualmente dela e da irmã mais velha, de 14 anos, que possui problemas mentais, há cerca de três anos, quando passou a viver com elas, afirma a polícia.

A Igreja Católica excomungou a mãe da garota e os médicos responsáveis pelo aborto --o que significa que não pode mais receber a eucaristia ou outros sacramentos, entre eles o casamento; mas não está banido de participar de celebrações da Igreja, como missas.

 

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