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Cotidiano
06/03/2009 - 16h53

Arcebispo em PE defende excomunhão e diz que aborto é crime mais grave que estupro

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MARINA NOVAES
da Folha Online

O arcebispo de Olinda e Recife, dom José Cardoso Sobrinho, afirmou nesta sexta-feira que o suspeito de ter estuprado uma menina de 9 anos em Alagoinha (a 230 km de Recife) não deve ser excomungado pela Igreja Católica. Grávida de gêmeos, a vítima foi submetida a uma cirurgia para interromper a gravidez na última quarta-feira (4). Após o aborto, médicos que participaram do procedimento e a mãe da menina foram excomungados.

O padrasto, que foi preso sob suspeita de ter estuprado a menina, confessou à polícia que abusava sexualmente dela e da irmã mais velha, de 14 anos, que possui problemas mentais, há cerca de três anos, afirma a polícia. De acordo com o religioso, no entanto, para a Igreja Católica, o aborto é um "crime mais grave que o estupro".

"Não, absolutamente não [o padrasto não deve ser excomungado da Igreja Católica]. Não fui eu que excomunguei as pessoas envolvidas com o aborto. O aborto é um crime que está previsto nas leis da Igreja, no código aprovado pelo papa. Essa é a penalidade da Igreja", afirmou Sobrinho, em entrevista à Folha Online.

"Quem cometer estupro está cometendo um pecado gravíssimo, aqueles que cometem assaltos também, estão cometendo pecados gravíssimos, e a Igreja também os condena. Mas, para estes pecados, a Igreja não prevê a excomunhão", disse. "Quem cometeu o aborto é um crime mais grave ainda, porque é tirar a vida de alguém inocente, indefeso."

A decisão da arquidiocese causou polêmica entre ministros e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que criticou a atitude da Igreja. "Não é possível permitir que uma menina estuprada pelo padrasto tenha esse filho. Até porque a menina que corria risco de morte. Nesse aspecto, a medicina está mais correta que a Igreja", afirmou hoje o presidente.

Segundo os médicos que atenderam a vítima, a menina poderia morrer caso a gravidez não fosse interrompida. Para o arcebispo, os médicos deveriam ter se "esforçado" para garantir que ela não perdesse a vida --sem que a gestação fosse interrompida.

"O quinto mandamento da Igreja é não matar. Então, neste caso em que a mãe, a menina, estava correndo risco gravíssimo de perder a vida, a Igreja diz: deve se fazer todo o esforço possível para salvar a vida desta menina grávida. Mas não se pode, para atender a essa finalidade, eliminar a vida de outros, duas vidas inocentes. Os fins não justificam os meios", disse.

Em entrevista publicada hoje na Folha, o médico Rivaldo Mendes de Albuquerque disse que o religioso não foi "misericordioso" com a menina.

"Tenho pena do nosso arcebispo, que não conseguiu ser misericordioso com o sofrimento de uma criança inocente, desnutrida, franzina, em risco de vida, que sofre violência desde os seus seis anos", afirmou o médico responsável pela cirurgia.

Excomunhão

A excomunhão é a penalidade máxima prevista Igreja Católica. Com ela, os penalizados ficam impedidos de participar de qualquer sacramento, como receber eucaristia e o casamento, por exemplo. Contudo, o excomungado não está banido de participar de celebrações da Igreja, como missas.

De acordo com o arcebispo, caso os médicos e a mãe da menina mostrem "arrependimento" em relação ao aborto e peçam perdão, eles podem ser aceitos novamente na Igreja. "A excomunhão é uma censura medicinal, do ponto de vista espiritual. E nós desejamos muito que eles [os médicos e a mãe] voltem o quanto antes", disse.

Apesar da polêmica, Sobrinho diz que os fiéis "aplaudiram a decisão", também apoiada, segundo o religioso, pela CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil). A assessoria da CNBB afirmou que o órgão não se pronunciará sobre o assunto por enquanto.

Em reportagem publicada hoje pelo jornal italiano "Corriere della Sera", o chefe do departamento do Conselho Pontifício para a Família, do Vaticano, Gianfranco Grieco, afirmou que a decisão da Arquidiocese de Olinda e Recife foi correta.

"É muito, muito delicado, mas a Igreja nunca pode trair o seu anúncio, que é defender a vida desde a concepção até a morte natural, mesmo em face de um drama humano tão forte como o da violência de uma criança", disse Grieco.

A menina, que estava internada desde a última quarta-feira (4) devido ao aborto, recebeu alta médica nesta sexta-feira pela manhã.

Comentários dos leitores
Luiz U Fernandes Fernandes (11) 24/03/2009 10h05
Luiz U Fernandes Fernandes (11) 24/03/2009 10h05
Sr.Mateus de Salles Penteado,
Fé não se discute, citando Kardek 'Fé inabalavel é somente aquela, que encara face a face a razão em qualquer época da humanidade'. Dar trela aos ateus esclarecidos é compreensivo, mas não ligue para comentários insolentes que pretendem ridicularizar os que creêm.
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Arcelino Pereira (8) 23/03/2009 14h06
Arcelino Pereira (8) 23/03/2009 14h06
Sr Mateus de Salles Penteado,
Por favor, não me faça rir novamente. Dizer que a maioria dos cientistas acredita em deus... aí já é demais. Cientistas se baseiam em provas, e não em crenças. Continuo afirmando que as religiões se baseiam em fatos históricos escritos do "disse que me disse". Bom... não vou ficar dando "murro em ponta de faca", discutindo com pessoas que só se baseiam em crenças.
Abraços... e passar bem !
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Mateus de Salles Penteado (4) 23/03/2009 08h48
Mateus de Salles Penteado (4) 23/03/2009 08h48
Sr. Arcelino Pereira, o dicionário diz que o verbo "banir" é sinônimo de "expulsar", "eliminar", "abolir", "proibir que se continue a fazer parte da sociedade". E o sr. havia afirmado que as religiões deviam ser "banidas". Portanto, não me diga que não entendi seu post. Sua posição, além de intolerante, não é científica e sim ideológica. E ideologia não é ciência. Em vez de rir, o sr. deveria conhecer mais o cristianismo, a fim de não equipará-lo com fábulas como duendes e unicórnios. O cristianismo é uma fé em testemunhos históricos sobre fatos reais. O sr. pode ou não acreditar neles - e respeito isso - mas, por favor, não me diga que crer é irracional. De resto, a maioria dos cientistas crê em Deus. 7 opiniões
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