Chuvas danificam e interditam hospitais de Balneário Camboriu e de Ponte Alta (SC)
da Folha Online
Os temporais que atingiram Santa Catarina neste fim de semana causaram estragos em ao menos dois hospitais no Estado: o Hospital Municipal Santa Inês, de Balneário Camboriu, e a Fundação Médico-Social Rural de Ponte Alta, único centro médico do município. Devido aos danos, os dois hospitais --que têm capacidade para 200 leitos, ao todo-- tiveram de ser interditados e os pacientes foram transferidos para outros centro médicos. A previsão é que o hospital de Balneário Camboriu só volte a funcionar na próxima semana, e o de Ponte Alta, amanhã (10).
As chuvas provocaram duas mortes em Itajaí e fizeram com que 367 pessoas tivessem de deixar suas casas em todo o Estado. Em Ponte Alta, um tornado causou danos a mais de 500 casas e deixou 20 pessoas desalojadas e 60 desabrigadas.
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Segundo José Roberto Espósito, secretário de Saúde de Balneário Camboriu (a 80 km de Florianópolis), um barranco que fica aos fundos do hospital Santa Inês --que tem capacidade para 130 leitos-- desabou por conta das chuvas, atingindo a enfermaria e alagando o centro médico. Segundo Espósito, nenhum paciente se feriu, pois a ala já havia sido esvaziada na semana passada, também devido às chuvas.
De acordo com o secretário, o restante dos pacientes que estavam internados foram transferidos entre a noite de ontem e a madrugada desta segunda-feira para hospitais da região. A previsão é que o hospital só volte a realizar internações na próxima segunda-feira (16).
Apenas a UTI (Unidade de Terapia Intensiva) neonatal --que possui oito leitos-- continua funcionando, já que fica em um pavilhão afastado da área atingida e, segundo o secretário, não oferece nenhum risco. "Também estamos realizando atendimentos em um posto central na rua 1.500, até as 22h. Mas em casos mais graves, nossa recomendação é que os pacientes se dirijam a outros hospitais", afirma Espósito.
Já em Ponte Alta (a 265 km de Florianópolis), o único hospital da cidade teve de ser interditado ontem pela manhã após a passagem de um tornado causar estragos. O hospital foi parcialmente destelhado e também ficou alagado. Ninguém se feriu.
De acordo com a Fundação Médico-Social Rural de Ponte Alta --que tem cerca de 70 leitos--, todas as cirurgias foram adiadas e os pacientes, transferidos. Nesta segunda-feira, uma ala cirúrgica voltou a funcionar e a previsão do hospital é que o local seja totalmente reaberto nesta terça-feira (10).
O tornado causou danos em mais de 500 casas no município e deixou 20 pessoas desalojadas e 60 desabrigadas.
De acordo com Gil Russo, meteorologista do 8º distrito do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) em Porto Alegre, responsável pelo Sul do país, o tornado durou 15 minutos e está associado ao tempo instável --com altas temperaturas e temporais.
Mortes
Uma enxurrada que atingiu uma estrada em Itajaí (a 94 km de Florianópolis) matou mãe e filho afogados no início da noite de domingo (8). De acordo com informações do Corpo de Bombeiros do município, o pai sobreviveu porque conseguiu se agarrar ao carro.
Ainda segundo os bombeiros, Bernadete Burigo, 34, e Matheus Tomás, 6, morreram depois de serem arrastados pela enxurrada na estrada geral da Paciência, bairro de Itajaí. As mortes foram confirmadas pela Defesa Civil do Estado.
Em meio à enchente, eles subiram ao teto do carro para se proteger. Alguns moradores tentaram resgatá-los com cordas, mas sem sucesso. Antes de Alício Tomás, 42, conseguir amarrá-los, os três caíram do veículo com a força das águas. Apenas Alício conseguiu se segurar.
As duas vítimas só foram encontradas na madrugada desta segunda-feira --o corpo do menino foi localizado pelos bombeiros a 400 metros do local onde estava o carro.
Chuvas
A chuva que atingiu o Estado foi resultado do tempo instável causado pela baixa pressão e deslocamento de umidade do mar para o continente, de acordo com o Epagri/Ciram.
Em um dia, Ituporanga (SC) registrou 97% do total de chuva previsto para o mês de março.
Segundo o Epagri/Ciram (Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia), central de meteorologia de Santa Catarina, foi o maior volume de chuvas no mês de março num período de 24 horas desde 1985.
Chuvas em 2008
As chuvas que atingiram o Estado em novembro do ano passado deixaram mais de 78 mil pessoas desabrigadas ou desalojadas.
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Segundo a Defesa Civil, 135 morreram e duas pessoas continuam desaparecidas --uma mulher de 79 anos, moradora de Gaspar, e um bebê de 11 meses, de Ilhota.
As doações aos atingidos pelas chuvas chegaram a R$ 33 milhões em fevereiro deste ano, sendo que desse total, R$14 milhões serão destinados ao repasse de benefícios --o equivalente a seis parcelas de R$ 415-- a famílias que tiveram a casa destruída ou interditada, não estão em abrigo público ou possuem renda familiar de até cinco salários mínimos.
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