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Cotidiano
10/03/2009 - 21h50

Após tragédia, Blumenau (SC) enfrenta especulação imobiliária

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MATHEUS PICHONELLI
PABLO SOLANO
da Agência Folha

O medo de morar perto de encostas e a indefinição sobre quais são as áreas de risco em Blumenau (SC) elevaram o preço do aluguel e de imóveis em terrenos distantes dos locais afetados pelos temporais de novembro.

A situação gera dificuldades para a prefeitura local --que enfrenta um déficit habitacional estimado em 5.000 moradias após a tragédia-- e para pessoas que procuram uma nova casa.

A valorização é ainda potencializada pelo saque de R$ 447,1 milhões do FGTS efetuado por 142 mil pessoas em Blumenau. A autorização para os moradores sacarem o recurso foi dada em dezembro, após a decretação de calamidade pública. Os moradores, com dinheiro na mão, aumentaram a procura por imóveis e, consequentemente, os preços deles.

O Sinduscon (Sindicato da Indústria da Construção Civil) diz que o aumento no preço dos terrenos é de 20%. Já a prefeitura afirma que o aumento chega, em alguns casos, a 50%.
"Mesmo na época da crise, o mercado ficou aquecido. As incorporadoras de grande porte estão sendo atraídas porque temos um déficit de casas", diz o secretário de Planejamento de Blumenau, Walfredo Balistieri.

O presidente do Sinduscon, Jorge Luiz Strehl, estima também uma valorização de imóveis de cerca de 20%. "É a consequência da procura. As pessoas sacaram o dinheiro do FGTS e isso vai dar uma estabilidade de pelo menos três meses para a economia da região."

O presidente do Secovi (Sindicato dos Corretores de Compra, Venda e Locação de Imóveis), Rogério Patrício, afirma que o preço dos terrenos em Blumenau já faz com que moradores procurem imóveis nos municípios do entorno.

Diretor de uma imobiliária da cidade, Diomar May Cardoso diz que, com a liberação do FGTS, a procura por imóveis aumentou ao menos 30% em relação ao mesmo período de 2008.

 

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