Justiça abre processo contra 4 dos 15 PMs suspeitos de extermínio em SP
ANDRÉ CARAMANTE
da Folha de S.Paulo
O juiz Antonio Augusto Galvão de França Hristov, da 1ª Vara de Itapecerica da Serra (Grande São Paulo), recebeu a denúncia oferecida pelo Ministério Público e transformou em réus quatro dos 15 PMs suspeitos de integrar o grupo de extermínio "Os Highlanders".
Com o recebimento da denúncia, o 3º sargento Moisés Alves Santos, o cabo Joaquim Aleixo Neto e os soldados Anderson dos Santos Salles e Rodolfo da Silva Vieira terão dez dias para apresentar defesa prévia à Justiça no processo em que são acusados pela decapitação do deficiente mental Antonio Carlos Silva Alves, 31, o Carlinhos, uma das 12 mortes que são atribuídas ao grupo de extermínio.
Os quatro PMs estavam presos provisoriamente desde janeiro, mas com o recebimento da denúncia, o juiz França Hristov determinou a prisão preventiva (que pode durar até o julgamento) dos réus.
Na tarde de 8 de outubro, quando voltava do trabalho que realizava como pintor, Carlinhos foi visto por moradores do Jardim Capela (zona sul de SP) ao ser colocado no carro n.º 37104 da PM. No dia seguinte, o corpo dele foi encontrado decapitado e sem as mãos em área deserta de Itapecerica, mesmo local onde outros três corpos decapitados já haviam sido encontrados desde abril passado.
A Folha revelou com exclusividade a existência do grupo de extermínio em 23 de outubro, mesmo dia em que um quinto decapitado --até agora não identificado-- foi achado.
De acordo com a investigação do Setor de Homicídios da Delegacia Seccional de Taboão da Serra (Grande SP), 15 PMs e um comerciante são acusados por pelo menos 12 mortes em 2008, mas nem todos os 15 estão ligados a todos os crimes --cinco decapitações, uma chacina com cinco mortos e o duplo homicídio de dois jovens acusados de roubar um carro.
Por conta das cinco vítimas decapitadas, o grupo é chamado de "Os Highlanders". Para o chefe da investigação, Ivan Jerônimo da Silva, as mortes são ligadas a um esquema de extorsão de dinheiro contra supostos criminosos no extremo sul de São Paulo.
Além dos quatro PMs transformados em réus pela morte de Carlinhos, outros cinco --Marcos Aurélio Pereira Lima, Jorge Kazuo Takiguti, João Bernardo da Silva, Ronaldo dos Reis Santos, Jonas Santos Bento, todos do 37º Batalhão-- estão presos provisoriamente, acusados pelas decapitações de Roberth Sandro Campos Gomes, 19, o Maranhão, e Roberto Aparecido Ferreira, 20, o Bebê. Os crimes ocorreram em maio de 2008.
O soldado Rodolfo da Silva, um dos réus no processo da morte de Carlinhos, e o sargento Ailton Rodrigues Machado, hoje na Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar), também são acusados de participação nessas duas decapitações. Desse grupo, somente o sargento Machado está solto.
Outro lado
José Miguel da Silva Júnior, advogado que defende os quatro PMs réus no processo pela decapitação de Carlinhos, sustenta que seus clientes são inocentes. Na interpretação do advogado, "a investigação contra os quatro tem muitas falhas". Silva Júnior admite que o soldado Vieira participou das mortes de Gomes e Ferreira, mas "porque foi ameaçado". "Ele só dirigiu o carro em que as vítimas foram levadas", afirma.
Os advogados dos outros PMs presos não foram localizados pela reportagem nesta sexta-feira.
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