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Cotidiano
24/06/2002 - 11h09

Motoristas de ônibus se reúnem hoje para avaliar greve

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da Folha Online

Os motoristas e cobradores de ônibus de São Paulo se reúnem às 16h para avaliar a greve, que começou à 0h de hoje. A categoria discutirá a paralisação e não prevê o fim da greve.

"Ficaremos parados até que a Transurb (sindicato das empresas) nos chame para discutir nossas propostas", disse o presidente do sindicato dos Condutores de Ônibus de São Paulo, Edivaldo Santiago.

A greve não afetou o trânsito em São Paulo e não causou superlotação no metrô e nos trens da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos).

O metrô registrou um pequeno aumento no número de passageiros. A empresa acredita que as peruas estão realizando o trabalho dos ônibus, o que evita superlotação no metrô.

Nos trens da CPTM, também não houve aumento do movimento. A companhia preparou um esquema especial, com mais trens e menores intervalos entre as composições, mas a medida não foi necessária.

Com a greve, cerca de 3,6 millhões de pessoas que utilizam ônibus por dia foram prejudicadas.

Rodízio

Além de suspender o rodízio de veículos, a Secretaria dos Transportes liberou a zona azul e as vias exclusivas e colocou nas ruas 428 veículos (vans, ônibus e peruas) cadastrados para situações de emergência. Eles circulam cobrando R$ 1,40 por passageiro, mesma tarifa dos ônibus.

Também foi liberado o itinerário para as lotações regulamentadas, os ônibus bairro-a-bairro e os ônibus intermunicipais, que podem chegar até o centro da cidade. Os terminais de ônibus foram fechados.

A secretaria incentiva o transporte solidário.

Reajuste

Os cerca de 50 mil motoristas e cobradores não aceitam a redução da proposta de aumento salarial.

O Tribunal Regional do Trabalho havia determinado 8% de reajuste, mas o Transurb (sindicato das empresas) não aceitou, recorreu e conseguiu baixar a proposta no TST (Tribunal Superior do Trabalho) para 6%.

"Caráter político"

O secretário dos Transportes, Carlos Zarattini, disse que a paralisação tem caráter político. Segundo Zarattini, o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva (PTB), que é vice do candidato à Presidência pelo PPS, Ciro Gomes, tem "estreitas ligações" com o presidente do Sindicato dos Condutores de São Paulo, Edivaldo Santiago.

"O Edivaldo Santiago conduziu uma greve em 1992 contra a prefeita Luiza Erundina de nove dias na véspera das eleições. Agora, o candidato do PPS a vice é o presidente da Força Sindical, que tem estreitas ligações com o Edivaldo, bem como vereadores do PSDB", disse, durante entrevista.

"Levantamos a hipótese de que há interesses políticos de fazer com que se crie uma situação de tumulto na cidade, que prejudique a candidatura do PT."

Edivaldo disse, por meio de sua assessoria, que o movimento é uma reivindicação salarial e que Zarattini "não tem experiência para ocupar o cargo de secretário".


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