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Cotidiano
14/03/2009 - 19h29

Em Brasília, poucos manifestantes ficam nus em frente ao Congresso na "Pedalada Pelada"

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da Agência Brasil

Em Brasília, cerca de 20 pessoas participaram da "Pedalada Pelada" ou World Naked Bike Ride, como o movimento é conhecido mundialmente.

Ciclistas que vão ao trabalho, à faculdade, ou em outras atividades cotidianas de bicicleta, se reuniram em frente ao Conjunto Cultural da República e desceram a Esplanada dos Ministérios para se manifestar contra a falta de respeito e espaço no trânsito das grandes cidades e lembrar aos motoristas que, quem pedala, anda desprotegido.

Diante do Congresso Nacional poucos tiveram coragem e tiraram as roupas para protestar, conforme a ideia original do evento, enquanto a maioria acompanhou apenas erguendo as bicicletas.

"A 'Pedalada Pelada' é para mostrar que existe um corpo sensível em cima da bicicleta, que não é uma máquina", explicou Fernanda Rachid, educadora, que acompanhou o marido e a filha Helena, de um ano e meio, no protesto. O casal disse que vai diariamente para o trabalho de bicicleta e usa esse mesmo meio de transporte para levar a pequena Helena para a escola.

"Nós usamos sempre capacete, sinalizadores, andamos pela direita, fazemos tudo direitinho. Mas, mesmo assim, ônibus e carros passam colados e nós sentimos o perigo. Só levamos a Helena assim porque o caminho para a escola dela é bem tranquilo", explicou o pai, Thiago Paes.

Também presente na concentração da "Pedalada", Miro Cândido disse que prefere rodar os 39 quilômetros que separam a casa dele do trabalho, a ir de transporte coletivo. "Se ainda houvesse metrô para lá poderia ser. Mas de ônibus, em Brasília, é impraticável, você pode ficar de meia hora até uma hora esperando na parada", explicou, reclamando dos atrasos constantes e da alta lotação do principal transporte coletivo da capital do país.

Segundo Miro, há dois anos ele percorre o trajeto para o trabalho de bicicleta e é justamente dentro do Plano Piloto, na parte planejada da cidade, que o perigo é maior para o ciclista. "Em quase todo o percurso há acostamento largo, então o perigo é menor. Mas quando entro no Eixão [via de velocidade limitada a 80 km/h, que corta a cidade no sentido norte/sul] não há acostamento, a velocidade dos carros é muito alta e eles passam muito próximos", explicou.

Além das reclamações sobre a agressividade dos motoristas, que geralmente não respeitam a distância de um metro e meio do ciclista, os participantes da "Pedalada Pelada" também lembraram o excesso de veículos motorizados no trânsito e a poluição que eles causam. "Um Carro a Menos" era uma das principais frases escritas nas costas dos manifestantes. O evento surgiu na Europa, onde também ocorreram protestos hoje.

São Paulo

Na cidade de São Paulo, a "Pedalada Pelada" aconteceu na avenida Paulista e atraiu cerca de 300 pessoas, segundo levantamento da Polícia Militar. A manifestação teve início às 14h e foi encerrado por volta das 17h30, sem que nenhuma prisão ou ocorrência grave fosse registrada.

O policiamento inibiu os manifestantes que ficaram sem roupa apenas para posar para os fotógrafos que estavam no local, por volta das 15h30. Após a sessão de fotos --realizada em frente ao Monumento às Bandeiras, próximo ao parque do Ibirapuera (zona sul)--, no entanto, os manifestantes se vestiram e prosseguiram seminus.

 

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