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Cotidiano
24/06/2002 - 18h35

TRT faz nova proposta e tenta acabar com greve de motoristas de SP

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da Folha Online

O Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo apresentou hoje nova proposta para tentar pôr fim à greve dos motoristas e cobradores, iniciada à 0h desta segunda-feira.

Segundo o TRT, o juiz Floriano Vaz da Silva propôs a suspensão da paralisação com um reajuste de 8%, sendo 6% retroativo a 1º de maio de 2002 e 2% pagos em novembro, além de um abono, a partir de janeiro de 2003, de R$ 150 para motoristas e R$ 100 para cobradores e funcionários da manutenção.

O juiz propôs ainda o pagamento das horas paradas, com compensação posterior.

A reunião, entre representantes do sindicato dos motoristas e cobradores e do Transurb (sindicato patronal) ocorreu na tarde desta segunda-feira. As duas partes têm até as 12h de amanhã para apresentar uma resposta ao TRT.

Motoristas e cobradores deverão se reunir novamente amanhã cedo.

Greve
Os motoristas e cobradores entraram em greve à 0h. Com a greve, cerca de 3,6 milhões de pessoas que utilizam ônibus todos os dias foram prejudicadas.

Os cerca de 50 mil motoristas e cobradores não aceitam a redução da proposta de aumento salarial. O Tribunal Regional do Trabalho havia determinado 8% de reajuste, mas o Transurb (sindicato das empresas) não aceitou, recorreu e conseguiu baixar a proposta no TST (Tribunal Superior do Trabalho) para 6%.

O rodízio de veículos foi liberado. A zona azul e vias exclusivas também foram liberadas. A Secretaria Municipal dos Transportes colocou nas ruas 428 veículos (vans, ônibus e peruas) cadastrados para situações de emergência. Eles circulam cobrando R$ 1,40 por passageiro, mesma tarifa dos ônibus.

Segundo a SPTrans (empresa que gerencia o transporte coletivo na cidade), 14 ônibus da viação Santa Brígida, que opera na zona norte de São Paulo, foram depredados. Os veículos foram apedrejados ao deixarem a garagem para circular. Mesmo com a greve de motoristas e cobradores, a empresa colocou ônibus nas ruas.

'Caráter político'
O secretário dos Transportes, Carlos Zarattini, disse que a paralisação tem caráter político. Segundo Zarattini, o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva (PTB), que é vice do candidato à Presidência pelo PPS, Ciro Gomes, tem 'estreitas ligações' com o presidente do Sindicato dos Condutores de São Paulo, Edivaldo Santiago.

"Levantamos a hipótese de que há interesses políticos de fazer com que se crie uma situação de tumulto na cidade, que prejudique a candidatura do PT.", disse, durante entrevista.

Santiago disse, por meio de sua assessoria, que o movimento é uma reivindicação salarial e que Zarattini "não tem experiência para ocupar o cargo de secretário".



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