Um ano após morte de Isabella, defesa do casal Nardoni evita falar com imprensa
da Folha Online
No próximo domingo (29), completa um ano que a menina Isabella Nardoni, 5, foi morta. Os acusados do crime --o pai dela, Alexandre Nardoni, e a madrasta, Anna Carolina Jatobá-- aguardam o julgamento no presídio de Tremembé (a 147 km de São Paulo). Um ano depois, os advogados do casal decidiram não falar mais com a imprensa sobre o caso.
A garota foi jogada pela janela do sexto andar do edifício London, na zona norte da cidade, onde morava o casal. Os acusados negam a autoria do crime.
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| Anna Carolina e Alexandre são levados para cadeia após terem prisão decretada |
À Folha Online um dos advogados assistentes de Marco Polo Levorin (responsável pela defesa do casal), Ricardo Martins, afirmou que a decisão de se calar foi tomada devido à "divulgação de uma série de informações que não condizem com os autos".
"[Os veículos de comunicação,] ao invés de informar, estão desinformando a sociedade", afirmou Martins, sem citar nomes.
A reportagem também tentou contato com o pai de Nardoni, o advogado Antonio Nardoni, que informou que não irá mais se manifestar sobre o caso para evitar a "exposição de sua família".
Derrotas
Desde que o casal foi denunciado, a defesa de Nardoni e Jatobá vem sofrendo sucessivas derrotas nos recursos apresentados à Justiça.
Os advogados pedem a revogação da prisão preventiva e anulação do recebimento da denúncia (acusação formal), sob o argumento de que não há prova da materialidade do crime, já que as marcas de esganadura apontadas pela perícia não existiam.
No último dia 16, o Ministério Público Federal enviou ao STF (Supremo Tribunal Federal) um parecer contra a libertação do casal, após a defesa entrar com um pedido de liminar (decisão provisória) contra decisão da 5ª Turma do STJ (Superior Tribunal de Justiça), que manteve os acusados presos.
No pedido, os advogados alegam que a violação ao princípio da presunção de inocência foi violado e que o "excesso de linguagem na decisão" que recebeu a denúncia pode influenciar os jurados.
No pedido de liminar, a defesa alega ainda que não há necessidade de prisão preventiva, pois o casal não ofereceria ameaça à ordem pública caso fique em liberdade. Argumenta também que o juiz que decidiu que eles sejam julgados pelo Tribunal do Júri usou expressões em sua decisão que comprometem o julgamento.
Teses da defesa
Os advogados e as testemunhas sustentaram três teses. A primeira delas de que não há provas para incriminar o casal Nardoni. A segunda argumenta que o casal tinha uma relação normal, com uma "sazonalidade" no relacionamento, que inclui períodos de conflitos e períodos de harmonia. A maioria das testemunhas de defesa ouvidas em julho do ano passado no Fórum de Santana (zona norte de São Paulo) afirmou que Alexandre e Jatobá tinham uma boa relação entre si e com Isabella.
A terceira tese é de que o edifício London, com muitos apartamentos em reforma na época do crime, era vulnerável à entrada de estranhos sem identificação, tanto pela portaria principal quanto por um portão lateral de prestação de serviços.
Acusação
O laudo dos peritos do Núcleo de Crimes Contra a Pessoa do IC (Instituto de Criminalística) aponta que a madrasta desferiu o primeiro golpe contra a cabeça de Isabella, de forma acidental, quando Jatobá, que estava no banco dianteiro do carona, se virou e atingiu a menina.
O laudo descarta a hipótese de uma terceira pessoa envolvida no crime --como defende o casal Nardoni-- e aponta que Jatobá auxiliou o marido a jogar Isabella do sexto andar do prédio.
O julgamento do casal ainda não tem previsão para ser marcado. Enquanto isso, Nardoni e Jatobá devem permanecer presos.
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