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Cotidiano
21/03/2009 - 17h16

Mulher diz que brasileiro condenado à prisão perpétua nos EUA é vítima de armação

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MARINA LANG
colaboração para a Folha Online

Mary Aparecida de Souza Oliveira, 49, mora em Borborema (384 km de São Paulo), trabalha como cabeleireira, garçonete em pizzaria e comerciante. Tem dois filhos cujos estudos, em medicina e odontologia, foram interrompidos. Seu marido, Alaor do Carmo Oliveira Júnior, foi condenado à prisão perpétua nos Estados Unidos.

Oliveira Júnior, 55, foi acusado pelo Departamento de Imigração dos EUA por sequestro e tráfico humano. Sua mulher, no entanto, defende a inocência do marido. "Ele foi acusado injustamente. Foi uma armação de brasileiros que já haviam tentado entrar nos EUA quatro vezes, sem sucesso. Se eu fosse mulher de traficante humano, não precisaria trabalhar", afirma a cabeleireira.

Reprodução
Alaor Oliveira Júnior (à esq.) e Reinaldo Eid foram senteciados à prisão perpétua nos EUA
Alaor Oliveira Júnior (à esq.) e Reynaldo Eid; mulher de Oliveira Júnior diz que o caso foi "armação"

A brasileira cita os nomes de Ana Paula Morgado (que, depois da acusação sobre Oliveira Júnior, obteve o Green Pass, visto de residência definitiva, por ser vítima de crime em território norte-americano) e Monica Alino (que teria sido deportada e voltou ao Brasil) como supostamente responsáveis pela armação.

Segundo Mary, seu marido prestava serviços a uma empresa de transportes denominada Yellow Green, cujo proprietário seria Reynaldo Eid, 49, o outro condenado à prisão perpétua. Em novembro de 2005, Ana Paula e Mônica teriam procurado o serviço de transporte para cruzar a fronteira, sob alegação de que ficariam no país até o dia 12 de dezembro.

Elas teriam ficado alguns dias em um hotel aguardando seus maridos, para efetuar o pagamento do transporte. "Como uma vítima de sequestro fica em um quarto diferente no hotel?", questiona Mary. "Meu marido levou a criança [o filho de 5 anos de Ana Paula] para cortar o cabelo, para comer, porque estavam sem dinheiro."

Mary diz ainda que o marido foi vítima de uma "máfia americana". "Eles acusaram dois brasileiros, sumiram com provas, e as supostas vítimas não testemunharam no julgamento. Brasileiro é tratado como lixo", lamenta a cabeleireira.

De acordo com ela, os defensores públicos dos brasileiros estão recorrendo à Suprema Corte dos EUA para anular a condenação. "O cônsul brasileiro também está acompanhando o caso, indignado com a situação, e informando o Itamaraty", afirma. Ela disse que procurou o Itamaraty no momento em que o marido foi preso, há três anos. "Mas não deram bola."

A Folha Online tentou entrar em contato com o Consulado Geral do Brasil em Los Angeles e com o Itamaraty durante este sábado (21), mas ninguém foi encontrado para falar sobre o caso.

Oliveira Júnior residia há nove anos nos EUA e tinha se mudado, segundo sua mulher, para arcar com os gastos das faculdades dos filhos, que abandonaram os estudos depois da prisão.

"Estou em estado de choque. O que posso fazer?", diz ela. "Meu pedido [às autoridades brasileiras] é o seguinte: o brasileiro é abandonado nesses lugares. Deveriam ter dado mais credibilidade ao caso quando os procurei. Agora tem essa bomba. Queria que reconhecessem o erro e fossem atrás para ver o que está acontecendo."

 

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