Polícia Civil do Rio desocupa favela da Rocinha após confrontos; três morreram
DIANA BRITO
colaboração para a Folha Online, no Rio
Três pessoas morreram, duas ficaram feridas e ao menos quatro foram presas durante uma operação policial realizada nesta quarta-feira na favela da Rocinha, na zona sul do Rio. De acordo com Gilberto Ribeiro, chefe da Polícia Civil no Rio, a favela foi desocupada hoje à tarde, mas o órgão não descarta realizar novas operações no local.
Segundo Ribeiro, a ação foi uma resposta aos traficantes da Rocinha, que tentam desde o último sábado (21) tomar pontos de venda de drogas na Ladeira dos Tabajaras, em Copacabana, também na zona sul da cidade.
| Marcelo Sayão/Efe |
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| Polícia descobre dois laboratórios de refino de cocaína na Rocinha, no Rio; três suspeitos morreram durante confronto com a polícia |
"Esse trabalho feito hoje visa dar uma resposta a um grupo de traficantes. Se a gente conseguisse prender o 'Nem' [apontado como chefe do tráfico na Rocinha, que está foragido] seria uma resposta melhor, mas nós fizemos o que nos programamos para fazer", afirmou, em entrevista na tarde de hoje.
"Se eles [os traficantes da Rocinha] fizerem isso de novo [tentar invadir a Ladeira dos Tabajaras] vão ter uma resposta da polícia", disse.
Cerca de 250 agentes de diversas delegacias participaram da ação na Rocinha, que resultou ainda na apreensão de uma tonelada de maconha, dois fuzis, três pistolas, três granadas e 14 motos roubadas. A polícia encontrou ainda dois laboratórios de refino de cocaína na região, uma oficina de conserto de armas e um depósito de pólvora.
A Polícia Civil do Rio estima que o tráfico de drogas na favela da Rocinha faturava até R$ 1 milhão por semana.
De acordo com o inspetor da Decod (Delegacia de Combate às Drogas) Maurício Bastos, os traficantes refinavam e misturavam cerca de 200 kg de cocaína por semana --com materiais como bicarbonato de sódio e cimento branco.
Policiamento Militar
Apesar da Polícia Civil ter deixado a Rocinha, o policiamento militar na Ladeira dos Tabajaras --palco de confronto entre as duas facções criminosas-- será mantido por tempo indeterminado. Cerca de 120 homens de ao menos dez batalhões da Polícia Militar do Rio permanecem na região.
Desde o início da ocupação, ao menos 18 suspeitos de tráfico foram presos. Além das três mortes ocorridas hoje, outras cinco pessoas morreram desde o último sábado devido aos confrontos nas favelas.
Para o secretário da Segurança Pública, José Mariano Beltrame, os chefes do tráfico na Rocinha invadiram a ladeira porque querem "expandir seus negócios".
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