Com 8 homicídios em 2008, Assis (SP) fecha comércio contra violência
DANIEL BERGAMASCO
da Folha de S.Paulo
Com pouco menos de 100 mil habitantes e oito assassinatos registrados em 2008, a cidade de Assis (a 427 km de São Paulo) fechará comércio, bancos e escolas na manhã desta quarta-feira (8) em protesto contra a violência.
Com roupa branca e pedidos de "paz", manifestantes farão passeata e entregarão uma carta ao prefeito Ézio Spera (DEM) com reivindicações a serem repassadas ao governador José Serra (PSDB). A principal delas é maior policiamento. Outra é a não construção de presídio em Florínea, município próximo, que, argumentam, pode aumentar a criminalidade da região.
"A Penitenciária de Assis influencia muito na violência da cidade por trazer criminosos e pessoas ligadas a eles. Os assaltos a lojas têm sido frequentes e o sequestro de carros um problema comum", diz Niomar Camargo de Lima, 53, gerente administrativo da Acia (Associação Comercial e Industrial de Assis).
A própria Acia, conta Lima, teve um Uno Mille "sequestrado" há duas semanas. "Pediram R$ 4 mil de resgate, mas tínhamos seguro".
Em 2008, a cidade registrou 201 roubos, maior número na década, mas inferior à média do Estado no ano, que foi de 529,07 por 100 mil habitantes). As ocorrências de furto, contudo, estão acima da média: 1.309,68 por 100 mil habitantes contra 1.189,29 no Estado. A prefeitura diz que apoia o projeto, mas não fechará suas portas.
"Temos alguns serviços que não podemos interromper, como os de saúde, mas liberamos os funcionários para a manifestação", diz Eduardo Homse, secretário de Governo e Negócios Jurídicos.
À Folha, a Secretaria de Administração Penitenciária diz que "tem o interesse em construir uma Penitenciária Masculina em Florínea" e que a desapropriação da área já foi feita.
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