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Cotidiano
14/04/2009 - 20h42

Ferroviários decidem manter greve por tempo indeterminado no Rio

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da Folha Online

A paralisação dos funcionários do transporte ferroviário do Rio deve continuar por tempo indeterminado. Em assembleia realizada na noite desta terça-feira, o sindicato dos ferroviários decidiu não acatar as propostas da Supervia --concessionária que administra o serviço-- e manter a greve, iniciada a 0h da segunda-feira (13).

A greve começou como um protesto contra os constantes acidentes na linha férrea. Os trabalhadores reivindicam melhores condições de trabalho e alegam haver falta de segurança devido à manutenção precária dos trens.A Supervia estima que mais de 60% dos funcionários tenham aderido à paralisação, que afeta mais de 120 mil usuários.

Hoje, a concessionária apresentou uma série de propostas à categoria, como contratar 20 profissionais para coibir atos de vandalismo, e outros 20 técnicos para a manutenção de defeitos na rede. A expectativa da empresa era que a greve fosse encerrada diante das propostas, que deveriam entrar em vigor ainda este ano.

Porém, de acordo com o secretário geral do sindicato dos ferroviários, Pedro Ricardo de Oliveira Neto, as propostas deixam de fora alguns pontos importantes, como a recontratação dos funcionários demitidos desde o início da greve.

"Nove pessoas foram demitidas com o início da greve. É uma retaliação [da Supervia], e isso nós não vamos aceitar", afirmou.

A assessoria da Supervia confirmou que houve demissões, mas negou ter sido uma retaliação à paralisação. De acordo com a empresa, os funcionários foram demitidos por "indisciplina" e "insubordinação", e não devem ser recontratados. A empresa não soube informar, entretanto, quantas pessoas foram demitidas.

Justiça

A empresa afirmou ainda que vai recorrer à Justiça nesta quarta-feira (15) pedir que os funcionários voltem ao trabalho. Na tarde de ontem, uma audiência de conciliação foi realizada no TRT (Tribunal Regional do Trabalho), mas nenhum acordo foi fechado entre a concessionária e o sindicato.

Durante audiência, o TRT-RJ determinou que o sindicato garantisse o efetivo de 60% dos funcionários trabalhando nos horários de pico --das 4h30 às 8h30 e das 16h30 às 20h30-- e o efetivo de 40% nos demais horários, podendo ser multado em R$ 50 mil, por dia, devido ao descumprimento.

Mesmo com a determinação, a SuperVia afirma que o efetivo de maquinistas está inferior ao determinado pelo órgão.

Em nota, a Comissão de Transportes da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) afirmou que irá realizar ainda esta semana uma audiência pública para discutir os problemas dos ferroviários.

Em reunião com representantes do sindicato, o deputado Marcelo Simão (PHS), presidente da comissão, afirmou que se reuniria ainda amanhã com membros da Supervia para discutir as reivindicações do grupo.

Funcionamento

Devido à paralisação, os trens estão circulando com intervalos maiores, mas nenhuma linha foi suspensa, afirma a concessionária. Nos ramais Japeri e Santa Cruz, o intervalo está em torno dos 20 minutos. Nos ramais Belford Roxo e Saracuruna é de 30 minutos, enquanto no ramal Deodoro os trens circulam com intervalos de 10 minutos.

A estimativa de passageiros afetados na paralisação de ontem é de 120 mil, mas não há levantamento oficial nesta terça. O sistema ferroviário do Rio conta com 89 estações e passa por 11 municípios.

 

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