Marido de grávida morta vê fotos em delegacia no Rio, mas não identifica suspeitos
DIANA BRITO
colaboração para a Folha Online, no Rio
O marido da enfermeira grávida que morreu durante uma tentativa de assalto no último sábado (18) não identificou como participantes do crime os três suspeitos mortos em operação realizada nesta segunda-feira por policiais militares na favela do Jacarezinho (zona norte do Rio).
"Ele [Anderson Pinheiro Lopes, marido da vítima] não conseguiu reconhecer os criminosos da ação da Polícia Militar no Jacarezinho. Nós apresentamos fotos, mas não adiantou", afirmou o o delegado-titular da 44ª DP (Inhauma), Carlos Eduardo Pereira Almeida.
Uma equipe da Polícia Civil foi ao hospital municipal Salgado Filho para fotografar os corpos dos suspeitos da tentativa de assalto que resultou na morte de Leslie Lima da Vitória, no bairro de Maria da Graça, na zona norte do Rio, com o objetivo de fazer uma identificação durante depoimento na tarde desta segunda.
"Nós já prevíamos que o depoimento dele não iria trazer novas informações. No entanto, não está descartado um avanço nas investigações", acrescentou o delegado. O marido da vítima também não conseguiu fazer um retrato falado dos suspeitos.
Os suspostos criminosos foram baleados após uma ação envolvendo policiais do Bope (Batalhão Operações Policiais Especiais) e do 3º Batalhão da PM (Polícia Militar) do Méier.
O delegado não descartou a possibilidade de realizar uma operação conjunta com a Polícia Militar para solucionar o crime, mas disse que só foi informado da operação quando ela já estava em andamento.
"Eles [os policiais militares] têm autonomia para agir. A gente só espera que essa ação não atrapalhe as investigações. Se for o caso de realizar uma operação conjunta com a PM, realizaremos. Mas por enquanto não", disse o delegado.
Ainda segundo a polícia, criminosos do Jacarezinho costumam realizar assaltos na localidade onde Leslie foi assassinada.
"Crime bárbaro"
O secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame, determinou que a polícia dê prioridade ao caso. Ele classificou o crime como "bárbaro", segundo a assessoria da secretaria.
A enfermeira foi morta por volta das 19h30 de sábado (18) após ser baleada em um tentativa de assalto na rua Fernando Esquerdo, próximo ao viaduto Maria da Graça. Os criminosos fugiram sem levar nada.
Ela estava com o marido dentro de um Renault Clio. O casal foi abordado por quatro homens armados em duas motos. Após os criminosos anunciarem o assalto, o casal foi obrigado a descer do veículo, mas Vitória ficou presa no cinto e foi baleada na cabeça.
A mulher foi socorrida pelo marido e levada ao hospital municipal Salgado Filho, no Méier (zona norte), mas não resistiu aos ferimentos e morreu. Os médicos realizaram uma cesariana de emergência e conseguiram salvar o bebê, uma menina que foi transferida para o hospital Carmela Dutra, informou a polícia.
De acordo com o hospital Carmela Dutra, a menina que ganhou o nome de Juliana vai ficar pelo menos dois meses na UTI da unidade. Segundo informações do hospital, a bebê respira com ajuda de aparelhos e seu quadro é estável.
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