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Cotidiano
21/04/2009 - 11h07

Advogado tira roupa na janela e termina em delegacia em São Paulo

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ALINE MAZZO
do Agora

Um advogado foi encaminhado à delegacia na tarde de ontem por fazer atos obscenos, da janela do escritório onde trabalha, para uma empregada doméstica que estava no prédio em frente, no Itaim Bibi (zona oeste de SP).

D.R.L., 34 anos, foi abordado em flagrante por policiais militares, que o viram abaixar as calças e mostrar seu órgão genital para G.M.L., 52. Segundo a vítima, o advogado até simulou se masturbar.

As insinuações começaram por volta das 11h, segundo G., quando ela chegou ao apartamento em que trabalha --no 12º andar de um edifício na rua Japão. "Ele olhava para mim e colocava as mãos no cinto, como se fosse tirar a calça. Eu virava o rosto rápido, com medo de ver", contou a empregada doméstica.

D. fez isso várias vezes, de acordo com G. "Ele esperava ficar sozinho na sala, fechava a porta e ficava na janela, olhando para mim. Quando um outro homem entrava na sala, ele sentava na mesa e ficava mexendo no computador", relatou ela.

Como estava sozinha em casa, a doméstica ficou com medo e chamou o zelador do prédio. Ele subiu ao apartamento, viu de uma das janelas o que o advogado estava fazendo e chamou a PM.

Segundo o zelador Benedito Silvério da Cruz, 45 anos, D. realmente se insinuava para a empregada, já que olhava para ela enquanto ameaçava tirar a calça. "As janelas ficam uma de frente para a outra. Ele se aproveitou disso para desrespeitá-la", afirmou.

Para flagrar o advogado, os policiais militares se esconderam em um dos quartos da residência e pediram para que a doméstica se aproximasse da janela. "Imediatamente ele abaixou as calças e a cueca e começou a exibir seu órgão genital. Em seguida ele começou a se masturbar e só parou quando a vítima saiu da janela", descreveu o sargento Sinésio Pereira de Melo, que atendeu à ocorrência.

Momento de fraqueza

Os policiais, assim como o zelador, seguiram até o prédio em que o advogado trabalha --que fica a 20 metros de distância do edifício da doméstica-- e deram voz de prisão a D. "Ele não negou que estivesse assediando a mulher nem tentou fugir. Apenas ficou muito sem graça e pediu desculpas pelo que fez", contou o tenente Melo.

À polícia o advogado confirmou os atos obscenos e disse que foi um momento de fraqueza, já que passa por problemas em seu casamento, de acordo com a Secretaria da Segurança Pública.

A delegada do 15º DP (Itaim Bibi) registrou um termo circunstanciado por ato obsceno. O advogado assinou o documento e foi liberado em seguida. A empregada doméstica também foi ouvida pela polícia e depois seguiu para casa.

Humilhação

Ainda trêmula de nervoso, a empregada doméstica G.M.L., dizia não se conformar com o que aconteceu. "Eu nunca mexi com ninguém por ali [no bairro onde trabalha]. Por que alguém vem fazer essas coisas com um pessoa que está quieta?", questionava.

A empregada afirma que trabalha há 13 anos no apartamento de uma família. Na manhã de ontem, ela resolveu fazer o almoço porque sabia que os patrões poderiam comer em casa. "Ele olhava bem para a minha cara e fazia que ia tirar a calça", contou, com os olhos cheios de lágrimas.

G. conta que é de origem humilde e que nunca passou por tanto constrangimento na vida. "Eu me senti humilhada. Acho que ninguém merece passar por essa situação. Tenho um filho de 23 anos e sei que ele jamais fará isso para alguém", disse a doméstica.

O zelador do condomínio acompanhou a doméstica ao DP, pois ela chorava bastante e estava muito nervosa. "Até eu fiquei assustado com o que vi. Nunca tinha ouvido reclamação de um problema como esse, e olha que trabalho no edifício há 26 anos.

Voltar ao trabalho e olhar pela janela da cozinha de novo vai ser difícil, disse G., mas ela tem certeza de que vai superar o trauma. "Já passei por coisas bem piores na minha vida. A única coisa que garanto é que vou até o fim com essa história. Se for para processar, eu processo", afirmou a doméstica.

Fraqueza

Em depoimento, o advogado declarou que o ato foi feito em um momento de fraqueza provocado por problemas no casamento. Segundo D. relatou à polícia, a crise conjugal é decorrente do nascimento de sua filha. O acusado também afirmou que jamais teve intenção de se insinuar para a doméstica.

A reportagem esteve no 15º DP na tarde de ontem, mas o advogado se recusou a dar esclarecimentos. Também foi pedida uma entrevista com seu advogado, mas a solicitação foi negada. Ao ser liberado, ele saiu em um carro pelos fundos da delegacia.

 

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