Operação da Polícia Civil busca suspeitos de clonar cartões de crédito no Rio
DIANA BRITO
Colaboração para a Folha Online, no Rio
Policiais civis realizam nesta sexta-feira operação em uma favela de Cabo Frio, na região dos Lagos, para tentar prender uma quadrilha que clonava cartões de crédito na zona sul do Rio. Segundo o delegado da Deat (Delegacia de Atendimento ao Turista), Fernando Veloso, um homem foi preso no início da manhã em Guadalupe (zona norte do Rio), e a polícia tenta cumprir mais dois mandados de prisão.
"A operação ainda está em andamento. Estamos com seis equipes nas ruas desde as 6h. Chegaram algumas informações de que os outros suspeitos estariam em uma localidade em Cabo Frio. Com apoio de policiais da 126ª DP (Cabo Frio), nós estamos realizando uma incursão em uma favela da região", afirmou o delegado.
Veloso informou que a polícia busca um homem de 33 anos, apontado como o articulador da quadrilha e que estaria foragido desde 2003 de Santa Catarina, onde foi acusado de cometer o mesmo crime, e uma mulher de 28 anos, que também é acusada de aliciar funcionários de estabelecimentos comerciais para a implantação dos equipamentos conhecidos como chupa-cabras.
De acordo com a polícia, o golpe acontecia na maioria das vezes com turistas estrangeiros. Os agentes também fazem buscas em vários municípios do Estado nesta sexta-feira para tentar localizar os criminosos.
Crime
O delegado da Deat ainda afirmou que a quadrilha atuava havia mais de dois anos no Rio e fraudava equipamentos de caixas eletrônicos, hotéis e restaurantes da zona sul. Em julho do ano passado, um turista americano procurou a delegacia para registrar a clonagem do seu cartão de crédito em outubro de 2006 em um hotel de grande porte em Copacabana.
"Os criminosos que clonaram o cartão de crédito desse estrangeiro americano chegaram a gastar R$ 19 mil com compra de celulares, acessórios de veículos, imóveis e eletrodomésticos. Após a denúncia desse turista, mesmo que tardia porque ele teve o cartão clonado em 2006, iniciamos as investigações sobre o caso em setembro", disse Veloso.
No mês passado, policiais da Deat prenderam cinco homens --um deles em um condomínio de luxo da zona oeste do Rio-- durante operação para desarticular uma suposta quadrilha que clonava cartões de crédito e bancários no Estado. Segundo a polícia, a quadrilha arrecadava em média R$ 350 mil por mês.
De acordo com Fernando Veloso, ainda não há informações se as quadrilhas trabalhavam em conjunto. Segundo ele, é normal que quadrilhas que praticam esse tipo crime se comuniquem "porque às vezes eles perdem contato de fornecedor e trocam informações sobre o mercado criminoso".
"Nós tivemos um pouco de sorte porque essa quadrilha se relacionou com a outra que nós desmantelamos no mês passado. Então, como o assunto que eles conversavam nos demonstrou que se tratava de pessoas que faziam a mesma coisa, isso facilitou as investigações. Logo depois, conseguimos levantar a ação deles no hotel de grande porte de Copacabana e internamente levantamos o registro do estrangeiro americano. Foi um trabalho minucioso de cruzamento de dados", afirmou Veloso.
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