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Cotidiano
27/04/2009 - 08h23

Candidatos a postos da PM do Rio farão exame antidrogas

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RAPHAEL GOMIDE
da Folha de S.Paulo, no Rio

No Estado em que o tráfico de drogas se manifesta com violência no país, a Polícia Militar do Rio adotou pela primeira vez a exigência de exame toxicológico na seleção de candidatos a oficiais e soldados da corporação. Uma das principais atividades da PM hoje é o combate ao tráfico de drogas.

As forças de segurança do Rio são as que mais matam e mais morrem no Brasil. Em 2008, as polícias militar e civil foram responsáveis por 1.137 mortes em supostos confrontos; morreram 90 policiais militares (a Polícia Civil não informou) em serviço ou de folga.

O exame toxicológico de larga detecção, usado pela PM, identifica o uso de drogas ilegais --como maconha e cocaína-- e legais, como bebida, consumidas até 90 dias antes da data da testagem.

No total, são 14 as drogas detectadas de uma só vez, entre elas maconha e derivados (como skank e haxixe); cocaína e derivados, como crack; ecstasy; anfetaminas e metanfetaminas; heroína, morfina, e outras.

Antes, já eram feitos exames laboratoriais com amostras de sangue e urina.

O primeiro teste toxicológico foi feito em um grupo de cerca de 200 candidatos a oficiais, no atual concurso, e o resultado ainda não está pronto. Os postulantes a soldados ainda não chegaram a essa etapa do processo. A seleção de soldados abriu 4.000 vagas, sendo 200 de policiais femininos.

Quem for flagrado por ter usado droga ilícita estará reprovado, disse a chefe do Centro de Recrutamento e Seleção de Praças (CRSP), tenente-coronel Ana Cláudia Siciliano.

"O interesse é que o candidato seja o mais honesto possível. Mesmo que não informe, nós fazemos a busca e descobrimos. Se mentiu, normalmente fica reprovado", afirmou Siciliano.

O exame toxicológico faz parte de uma bateria de testes médicos, mas também é uma ferramenta de investigação da vida dos candidatos conduzida pela seção de Inteligência da PM. O objetivo é identificar desvios de conduta, como crimes, uso de drogas e outros.

Ao realizar esse tipo de exame, a PM pretende eliminar quem não tem o perfil desejado pela corporação para a função.

"Somos responsáveis pelo policial que vai para a rua. Não temos 100% de garantia, mas queremos alguém com a conduta ilibada. Muita gente não tem os valores arraigados", afirmou a tenente-coronel.

Na atual seleção de soldados, com cerca de 38 mil candidatos, houve mais de 9.000 aprovados na prova intelectual.

 

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