"Parece filme de ficção científica", diz passageiro que chega a SP sobre gripe suína no México
CLAYTON FREITAS
da Folha Online
Passageiros de um voo da companhia aérea Aeromexico desembarcaram por volta das 11h desta segunda-feira no aeroporto internacional de São Paulo, em Cumbica (Guarulhos, região metropolitana), e, usando máscaras, afirmaram estar apreensivos devido ao grande número de casos de gripe suína registrados naquele país --onde ao menos 22 pessoas morreram.
Passageiros ouvidos pela Folha Online informaram ter recebido orientações sobre a doença durante o voo.
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Segundo a consultora Michele Soriano, 32, todas as TVs locais informam continuamente sobre a situação e até agentes do Exército auxiliam a distribuir máscaras nas ruas. Ela afirma que todos adotam medidas para evitar que a doença se espalhe.
| Paulo Whitaker/Reuters |
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| Com receio da gripe suína, Ximena de la Parra Parreros e o noivo aguardam a mãe dela, no aeroporto internacional de São Paulo |
O cirurgião dentista Gilberto Pucca, 45, participou de um congresso na Cidade do México. Ele afirma que o local do evento teve de ser mudado e, na noite da última quinta recebeu máscaras no hotel onde estava. "Parece filme de ficção científica", disse.
Pucca deve participar de novo congresso no próximo mês, mas afirma que a viagem está condicionada aos desdobramentos da epidemia no México.
Conforme passageiros, autoridades mexicanas orientam as pessoas para não circular nas ruas ou locais de aglomerações, eventos públicos foram cancelados e aulas, suspensas.
Para o gerente de viagens Ricardo José de Carvalho Bichara, 33, a situação é alarmante. Apesar disso, ele não usou máscaras no voo. "As pessoas ficam juntas durante 12 horas, 15 horas e não será a máscara que irá impedir nada."
Segundo ele, a quantidade de informações fornecidas sobre a doença é abundante em todos os meios de comunicação. Ele afirma que tentou ir a um restaurante no sábado, mas que todos estavam fechados.
Bichara diz que ainda é cedo para avaliar o possível impacto da gripe suína no mercado de turismo, mas que, ao menos na agência onde trabalha, nenhum voo foi cancelado devido à doença.
O empresário Orlando Ferreira de Souza, 45, esteve na Cidade do México com a família a passeio e afirma que tentou antecipar a volta para sábado, mas que todos eles estavam lotados. "Ainda bem que voltamos", disse.
A pedagoga mexicana Charo de la Parra Parreros desembarcou nesta segunda para participar do casamento da filha, marcado para o próximo dia 1º. Usando luvas e máscara, ela diz que recebeu orientações durante o voo e afirma não temer o retorno ao seu país e estar confiante de que a situação irá melhorar.
A filha, que planeja também uma cerimônia no México, no próximo dia 30, agora afirma que avaliará a viagem, devido ao grande número de casos da doença. Para a mãe, no entanto, a festa deve ser mantida, pois as autoridades locais estão tratando o assunto com seriedade.
Sintomas
Além do México, há casos confirmados da doença na Espanha, no Canadá e nos Estados Unidos.
A gripe suína é uma doença respiratória causada pelo vírus influenza A, chamado de H1N1. Ele é transmitido de pessoa para pessoa e tem sintomas semelhantes aos da gripe comum, com febre superior a 38ºC, tosse, dor de cabeça intensa, dores musculares e articulações, irritação dos olhos e fluxo nasal.
Para diagnosticar a infecção, uma amostra respiratória precisa ser coletada nos quatro ou cinco primeiros dias da doença, quando a pessoa infectada espalha vírus, e examinadas em laboratório. Os antigripais Tamiflu e Relenza, já utilizados contra a gripe aviária, são eficazes contra o vírus H1N1, segundo testes laboratoriais, e parecem ter dado resultado prático, de acordo com o CDC (Centros de Controle de Doenças dos Estados Unidos).
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O Ministério da Saúde está atento e continua realizando todas as ações relacionadas à Influenza A (H1N1). Cabe ressaltar que o número de casos graves da doença e de óbitos vem diminuindo. Estamos sempre à disposição.
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Apesar de ainda serem notificados novos casos graves de Influenza A (H1N1), esse número teve uma grande redução. No Brasil, em comparação com a semana epidemiológica com o maior número de notificações, a semana epidemiológica 44 (até 07 de novembro), apresentou redução de 97%. Esse decréscimo também ocorreu nas regiões do país. Na região Sul, por exemplo, a redução foi de 98%. Continuamos à disposição.
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A vacina contra a Influenza A (H1N1) estará disponível para todas as pessoas que fizerem parte dos grupos que deverão ser imunizados. Estamos à disposição.
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